A Escolhida – Lois Lowry
20/12/2014
Kira, uma órfã de perna torta, vive em um mundo onde os fracos são deixados de lado. A partir do momento da morte de sua mãe, ela teme por seu futuro até que é perdoada pelo Conselho de Guardiões. A razão é que Kira tem um dom: seus dedos possuem a habilidade de bordar de forma extraordinária.
Ela supera a habilidade de sua mãe, e lhe cabe a tarefa que nenhum outro membro da comunidade pode fazer. Enquanto seu talento a mantêm viva e traz certos privilégios, ela percebe que está rodeada de mistérios e segredos, mas ninguém deve saber sua intenção de descobrir a verdade sobre o mundo.
Eu não sou a maior fã das distopias, porém Lois Lowry me ganhou em O Doador de Memórias e é claro que a continuação estaria na lista. Tanto que assim que o livro chegou da nossa parceria com a Editora Arqueiro eu atropelei minha fila de leituras e o devorei.
Bom... Primeiramente deixa eu dizer para vocês que eu não li a sinopse do livro. Sério. Ando com essa mania de não ler demais para tentar ser surpreendida já que alguns livros esse ano não tiveram tanta graça devido a sinopse contar detalhes que me fizeram matar a questão... E por conta disso eu acabei lendo o livro todo esperando uma coisa e não tendo.
“Ao sair do EdifÃcio do Conselho em direção à luz do sol forte e à confusão habitual da praça principal do vilarejo, percebeu que mal passava do meio da tarde, ainda um dia comum na existência daquelas pessoas, e que nenhuma outra vida ali tinha mudado além da sua.” (Pág. 46)
Nesse livro conhecemos Kira. Uma garota com uma deficiência na perna que acaba de ficar órfã. Na vila em que mora, os deficientes são levados para o que chamam de campo (para morrer) já que eles não são perfeitos e não são úteis. A mãe de Kira brigou por ela e conseguiu manter a filha. Mas agora que morreu, uma das mulheres da vila quer o seu terreno. Como Kira tem uma grande habilidade com bordado, em seu julgamento ela acaba indo morar no prédio do conselho.
É um mundo totalmente novo e ao mesmo tempo parecido com o mundo de O Doador de Memórias. Sim, é continuação, mas aqui não temos nada de sequencia. É quase como se estivéssemos lendo um livro novo. E isso me deixou confusa por boa parte da história pois eu ficava esperando a conexão dos dois mundos (um desfecho para o final de O Doador de Memórias), mas ainda não aconteceu nesse livro. E mais... Esse também tem um final aberto.
- Vocês vão me proteger? - perguntou Kira, rindo.
- Eu e Toquinho somos brabos. - Matt flexionou o que se passava por músculos em seus braços franzinos. - Eu só pareço pequenininho. (Pág. 69)
Lois Lowry escreveu uma nova sociedade, que também sobreviveu aos grandes ataques, as grandes guerras. É um outro local, que teve que aprender a se virar, com um grupo de pessoas. Tem semelhanças que conectam as duas histórias o que faz com que a gente perceba que em A Escolhida estamos no mesmo mundo de O Doador de Memórias, mas é como se fosse em um local muito distante, onde um não sabe da existência do outro. E isso é o mais interessante de tudo.
A Escolhida tem uma narrativa rápida e gostosa de ler que levanta vários pontos para reflexão. Tem ainda um menininho muito fofo que merecia um livro só para ele (o Matt e seu cachorro Toquinho ganharam meu coração!!!). Tem uma personagem principal forte, que não foge quando descobre que nem tudo é como dizem que é – e eu adorei isso, o fato de ela ficar por acreditar que pode fazer a diferença. E isso me deixou ainda mais intrigada para ler o próximo livro. E mais... Estou aqui tentando descobrir como é que Lowry irá conectar tudo nos próximos dois livros. Mesmo quem não é muito fã de distopia deve dar uma chance a série da Lois Lowry. E que venha o terceiro livro.










