A Verdade sobre Nós – Amanda Grace
27/01/2015
Madelyn Hawkins está cansada. Cansada de ser sempre perfeita. Cansada de tirar A em tudo. Cansada de seguir à risca os planos que os pais fizeram para ela. Madelyn Hawkins está cansada de ser algo que não é, algo que não quer ser. E então ela conhece Bennet Cartwright. Inteligente, sensível, engraçado. A seu lado, ela se sente livre e independente. Uma história que poderia muito bem ter um final feliz, não fosse por um detalhe: Maddie tem apenas 16 anos, e Bennet, além de ter 25 anos, é seu professor. Pressionada pelos pais a participar de um programa para jovens talentos, Maddie pula dois anos do Ensino Médio e vai direto para a faculdade, onde conhece e se apaixona pelo professor de biologia. O sentimento é recíproco, e para dar uma chance àquele novo relacionamento que lhe faz tão bem, ela decide não contar para Bennet sua idade. Não demora muito para que as coisas comecem a dar errado, e as consequências da farsa de Maddie ganham contornos devastadores quando a verdade vem à tona.
"É fácil confiar em uma garota inteligente.
Garotas inteligentes não deveriam fazer coisas estúpidas."
(pág. 10)
Foi essa frase, que está ou na capa ou na contra-capa (não lembro e não tenho mais o livro comigo pois peguei emprestado) foi o que me fez querer ler o livro de Amanda Grace. Até então, tinha achado a capa bacana mas nada além disso, até ele chegar na livraria e eu ler a frase acima. Isso me deixou super curiosa e no mesmo dia o trouxe para casa e devorei o livro.
"Eu sabia que desde que fosse perfeita por fora, não importava como me sentia por dentro."
(pág. 63)
É fácil entender o lado de Madelyn. Até porque o livro faz com que isso seja mais possível pela forma como ele é contado. Depois dos acontecimentos, Madelyn escreve uma carta contando como foi que a história aconteceu e é através dessa carta que conhecemos os personagens. Adorei esse estilo e ler uma história através de um angulo diferente do que estou acostumada. Essa diferença fez também com que eu lesse o livro muito mais rápido do que normalmente leio.
"Você era minha rota de fuga. Minha porta para outro mundo, um reflexo que se parecia mais com a pessoa que eu queria ser do que com a que era obrigada a ser."
(pág. 54)
A única coisa que eu não entendi foi a mentira. Não o motivo de ela ter mentido, mas a questão de que ficaria tudo bem mesmo ela mentindo. Na verdade é compreensível o modo como ela mente para todos, mas mentir para Bennet e acreditar que não teria consequências? Isso não faz sentido para uma garota tão inteligente como todos acham que ela é.
"Vi que você gostava de autoconfiança, e eu queria ser aquela garota, a que era dona de si, que adorava isso, que brincava com o lado sensual. Uma garota que jamais havia tentado ser em outro lugar."
(pág. 51)
E aí você lembra que ela tem só 16 anos... E aí tudo faz sentido quando penso em uma garota inocente, com um primeiro amor – ainda mais sendo um professor – que nunca fez nada do que realmente queria pois ela já tinha um plano traçado para ela antes mesmo de ter um plano. E de repente ela se vê livre, podendo ser outra coisa? Quem não mentiria em uma situação assim?
"Eu queria muitas coisas naquela noite,
mas teria me contentado com um beijo."
(pág. 139)
Ver Bennet pelos olhos de Madelyn fez com que gostasse dele, com que tivesse vontade de voltar a adolescência ter um professor assim e também me apaixonar. Seria interessante se tivesse um livro com o ponto de vista dele, para que o leitor conhecesse ele realmente pois depois de vê-lo pelos olhos dela, é difícil acreditar que tudo aconteceu como aconteceu. Acho que para mim, esse foi o maior problema... Até porque como pode ele gostar dela e por um detalhe tudo mudar?
"A diferença entre o amor que pode durar uma vida
e o amor que nunca pode acontecer."
(pág. 36)
A verdade sobre nós é interessante e eu gostei de ter lido. Acontece que faltou algo e eu não sei explicar exatamente o que. O final pode ser inesperado para uns e decepcionante para outros, dependendo do modo que a história tocar o leitor. Apesar de algumas falhas, eu entendi Madelyn e assim como ela, gostei do Bennet porém alguma coisa ficou no meio do caminho. Sabe quando tudo parece acontecer como é para acontecer e de repente tudo muda? Sabe quando as coisas fazem sentido caminhar para onde caminham mas ao mesmo tempo não fazem sentido? Sabe quando você gosta de uma leitura mas ao final fica com um ‘mas’... Foi isso que aconteceu comigo. De modo geral eu indico a leitura, até porque a narrativa da autora é ótima e merece uma chance. Além do mais, seria legal você ler e voltar aqui e me dizer se estou certa mesmo ou se perdi alguma coisa por ler tão rápido...










