Mara Dyer não sabe se é louca ou apenas assombrada. Tudo o que sabe é que tudo à sua volta morre. Basta ela querer...
Mara Dyer acha impossĆvel algo pior do que acordar em um hospital, sem memória. Ela acredita ter sido uma fatalidade o acidente que matou seus amigos e do qual ela escapou sem sequelas... fĆsicas.
E, depois de tudo o que aconteceu, ela acredita que seria impossĆvel se apaixonar.
Mara Dyer estĆ” errada...
Eu me interessei pela história de Mara Dyer desde o momento em que fiz a divulgação do livro aqui no blog em uma news da Galera. Ao terminar a leitura, fico contente que meus instintos não estavam errados :)
“- Ć preciso ser um artista e um louco, uma criatura de infinita melancolia, para discernir, imediatamente, o demoniozinho mortal entre as crianƧas puras - disse ele com o sotaque britĆ¢nico escorrendo em meio Ć s palavras, a voz suave e baixa. - Ela nĆ£o Ć© reconhecida pelas demais crianƧas e tampouco tem consciĆŖncia do seu fantĆ”stico poder.
Fiquei ali, encarando-o, boquiaberta e sem palavras. Teria gargalhado - a coisa toda era meio ridĆcula. Mas o modo como falou, o modo como olhava para mim, era assustadoramente Ćntimo. Como se soubesse meus segredos. Como se eu nĆ£o tivesse segredos.” (pĆ”g. 57)
Mara Dyer passou por um acidente onde seu namorado e sua melhor amiga morreram e ela saiu praticamente sem nenhum arranhão e sem lembrar do que aconteceu. A partir daà ela não sabe se é realmente louca ou se algo maior estÔ acontecendo com ela. E é nesse clima de suspense que Michelle Hodkin me ganhou.
“- EntĆ£o, quem mais conheceu? AlguĆ©m interessante? AlĆ©m de mim, Ć© claro.
Abaixei a voz e rabisquei o papel quadriculado.
- Interessante? NĆ£o. Escrotinho? Sim.
A covinha na bochecha de Jamie ficou mais profunda.
- Deixe-me adivinhar. Um certo babaca despenteado com um sorriso de fazer as calcinhas caĆrem?
Talvez.
Jamie assentiu.
- Esse seu rosto vermelho me diz que Ć© definitivamente o caso.” (pĆ”g. 59)
Ponto para os personagens secundĆ”rios. Embora nĆ£o conheci tanto quanto gostaria dele, Jamie Ć© uma graƧa e um amigo que eu gostaria de ter. Daniel, o irmĆ£o mais velho de Mara Ć© exatamente o que todo irmĆ£o mais velho deveria ser: protetor, carinhoso e sempre prestativo – sem deixar deixar de pegar no pĆ©.
“- Adianta perguntar o que ai fazer comigo?
Ele deu um sorriso malicioso.
- Na verdade não.
IncrĆvel.
- SerƔ necessƔrio que decore alguma palavra chave caso precise de socorro?
- Isso vai depender inteiramente de vocĆŖ. - Noah chegou impossivelmente mais perto, apenas a centĆmetros de distĆ¢ncia. Algumas sardas sumiram para trĆ”s do pescoƧo na altura do maxilar dele. - Serei delicado - acrescentou. Minha respiração ficou presa na garganta conforme ele me olhava por debaixo dos cĆlios, me destruindo.
- VocĆŖ Ć© mau - declarei.
em resposta, Noah sorriu e ergueu o indicador para bater de leve na ponta do meu nariz.
- E vocĆŖ Ć© minha - falou, e entĆ£o foi embora.” (pĆ”g. 150)
Noah... Eu gostaria de ter um livro todo com Noah narrando. Gostaria de saber se ele é mesmo assim como Mara o vê ou se ele realmente é mais como eu vi durante a narração dela. Quer dizer, eu adorei Noah e todas as suas facetas. Adorei o fato de não saber exatamente quem ele era ou o que ele escondia e adorei mais ainda estar certa de uma coisa e ser surpreendida. Isso foi o ponto mÔximo do livro porque eu tinha certeza de que iria caminhar para uma coisa e fazia tempo que eu não era surpreendida. Mais um ponto para Michelle.
“Semicerrei os olhos para ele.
- Fui avisada sobre vocĆŖ, sabe.
E com aquele meio sorriso que acabava comigo, Noah respondeu:
- E mesmo assim estĆ” aqui.” (pĆ”g. 190)
Quanto a Mara... Eu acredito que estou com um pequeno problema de implicĆ¢ncia com as “mocinhas”. NĆ£o consigo definir se gostei dela ou nĆ£o, mesmo tendo adorado a forma como ela foi escrita.
“- NĆ£o pedi para se casar comigo. Pedi que jantasse comigo. O quĆŖ? Tem medo de que eu arruĆne a imagem que estĆ” cultivando aqui?
- Que imagem? - perguntei, sem animação.
- Angustiada, solitÔria, emo-adolescente introspectiva, encarando o nada enquanto rabisca folhas em decomposição que caem de galhos nus e... - A voz de Noah sumiu, mas o olhar superior de diversão no rosto dele não.
- NĆ£o, isso foi lindo. Por favor, continue.” (pĆ”g. 105)
Acredito que a personagem estÔ perfeita dentro de todas as suas contradições, afinal o colegial jÔ é bastante intenso (e Anna e Aiden estão aà para provar o que eu digo) mesmo sem você ser assombrada, louca, psicótica tudo-junto-ou-nada-disso... E teimosa... Eita menina teimosa. Mas que adolescente não é? (Ah, e senti um pouco mais de afinidade com ela quando descobri que ela faz aniversÔrio no mesmo dia que eu... Nada a ver com a história mas eu achei tão legal...rs)
“Uma corrente viajou das pontas dos dedos atĆ© o vazio que costumava ser meu estĆ“mago.
E simplesmente assim, eu era total, completa e inteiramente,
Dele.” (pĆ”g. 147-148)
Adorei a forma que o romance entre Mara e Noah foi construĆdo, mesmo com alguns clichĆŖs. Quer dizer, tem um pouquinho daquela coisa de Noah bater o olho em Mara e jĆ” saber que Ć© com ela que ele quer ficar e coisa e tal, porĆ©m o motivo Ć© diferente do normalmente usado de “ela Ć© a garota mais bonita que eu conheci”. E como Noah tem uma certa reputação, Mara nĆ£o se entrega logo de cara – mesmo que ela só fique se fazendo de difĆcil na maioria das vezes, eu gostei de como as coisas foram acontecendo. E gostei mais ainda do fato do romance estar lĆ” e mesmo assim o foco principal ser em tantas outras coisas.
- Você deveria dizer: "Só quero a sua felicidade. Farei o que for preciso, ainda que signifique ficar sem você".
- Sinto muito - falou Noah. - Simplesmente não sou uma pessoa tão boa assim. (pÔg. 349)
Com uma mistura exata e perfeita de realidade, loucura, suspense e romance Michelle Hodkin arrasou em seu primeiro romance. E eu terminei a leitura desejando desesperadamente o segundo livro para saber mais de Mara, Noah e toda essa história... Preciso dizer que eu recomendo (e muito) a leitura?










