21/07/16

O Adulto - Gillian Flynn

Por ser um conto, preferi não colocar a sinopse do livro por achar que tem informação demais na mesma. Conto um pouquinho do enredo na resenha - sem spoilers - mas você pode conferir a sinopse oficial no site da editora, clicando aqui.


Sabe quando você escuta muito falar sobre uma autora e fica curiosa em conhecer o seu trabalho? Ao mesmo tempo que queria conhecer as obras da Gillian Flynn não queria ler nada muito comentado ou que já tivesse lido várias resenhas. O caso é que eu queria alguma coisa sem uma certa expectativa para ver se ela me conquistava. Então, quando vi o conto O Adulto, pensei, por que não? 

Não sou de ler contos - penso que cada vez que me apego a história ou a um personagem ele termina e sempre fico frustrada por isso - mas como esse ano estou me aventurando mais em sair dos meus hábitos de leitura comecei a ler o conto e, posso dizer que já logo na primeira página fiquei presa e querendo saber mais. Não tem como não ficar curiosa com uma história que começa com a seguinte frase:
"Eu não parei de bater punheta para os outros por não ser boa. Parei de bater punheta por ser a melhor."
De rápida leitura, afinal é um conto com 64 páginas em sua versão impressa (eu li em ebook pelo Kindle) O Adulto conta a história de uma garota que está acostumada a viver de pequenos golpes. Sua maior habilidade é saber perceber o que as pessoas querem ouvir, e se tornar uma ótima vigarista não foi um caminho difícil de se seguir. Depois de 3 anos como uma batedora de punhetas, a síndrome do túnel do carpo foi uma realidade e, agora sua nova ocupação é se passar por uma vidente que consegue ler a aura das donas de casas ricas da cidade. 
"As pessoas são idiotas. Nunca vou conseguir aceitar quão idiota as pessoas são."
Quando Susan Burke chega para uma consulta, ela percebe que Susan é diferente das outras pessoas. Ela parecia mais inteligente que a média das pessoas e talvez não fosse fácil de enganar. Susan se mudou recentemente e está com problemas com seu enteado adolescente, além de coisas estranhas estarem acontecendo em sua nova casa. 

Como experiente observadora, a protagonista vê em Susan alguém que precisa da resposta de que não está louca e ela pode ser o caminho necessário para divulgar seu novo trabalho de "limpeza espiritual", além claro de uma grande porta para mais clientes - o que quer dizer mais dinheiro. Acontece que ao visitar a mansão dos Burkes, a falsa vidente se depara com coisas estranhas - e está convencida de que o mal realmente a espreita pelas paredes da casa. 
Quando as pessoas me fazem a pergunta que todas fazem, “O que você faz?”, eu respondo: “Trabalho com atendimento ao cliente”. O que é verdade. Para mim, é um belo dia de trabalho quando você faz um monte de gente sorrir. Sei que soa sério demais, mas é verdade."
A narrativa de Flynn é envolvente e interessante de acompanhar. E tem aquela coisa de quando a gente acha que descobriu o que está acontecendo, um acontecimento faz você mudar de ideia. Sabe quando a história termina e te deixa pensando quem é que estava realmente enganando quem? Não dá para ter certeza se é enganação, se é algo sobrenatural ou o que realmente é - e eu adorei isso. Se em um conto a autora já conseguiu apresentar tantas nuances e personagens tão interessantes, fico imaginando o quão completa suas personagens podem ser.

O Adulto já tinha sido publicado aqui no Brasil antes. Ele faz parte do livro de contos O Príncipe de Westeros e Outras Histórias - organizado por George R R Martin e Gardner Dozois e que foi lançado por aqui pela Editora Arqueiro no selo Saída de Emergência. No livro ele aparece com o título de Qual é a sua profissão?. Para os fãs da autora, a publicação dele em um livro único pela Intrínseca é um presente. Para mim, foi uma ótima maneira de conhecer a escrita da autora - e pretendo ler seus outros livros o mais breve possível.

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[Nas Bancas] Novidades Harlequin em Julho

Oi Pessoal...
Hoje é dia de dividir com vocês as novidades que estão chegando esse mês nas bancas :)


Começamos com o que na minha opinião é a capa mais linda do mês. Com um romance que promete ser doce, temos Sherryl Woods.


E que tal um viking? Siiiimmmm!!! É mais um romance histórico para os apaixonados pelo estilo.


E quando tirar uma foto não é a melhor opção? Ou quando tudo começa em um casamento?
Quem não gosta de um pouquinho de clichê e um romance doce para ficar sonhando acordada?




E falando em duas histórias em um só exemplar...
Tem os lançamentos de Desejos com Elizabeth Bevarly e Dani Wade:



Jéssica Minissérie com Caitlin Crews:



E ainda, Kelly Hunter e Victorica Parker:



E claro... Muita romance na coleção Paixão...







 São tantos romances juntos que é até difícil escolher por qual começar, não é mesmo?
Eu já anotei meus favoritos por aqui, e vocês, qual foi o que mais chamou a atenção e entrou para sua lista?
Conta para gente... Vai que rola uma surpresa ;)

Beijinhos,

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10/07/16

Tudo e todas as coisas - Nicola Yoon

"Minha doença é tão rara quanto famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série de alergias. Não saio de casa. Nunca saí em toda minha vida. As únicas pessoas que já vi foram minha mãe e minha enfermeira, Carla. Eu estava acostumada com minha vida até o dia que ele chegou. Olho pela minha janela para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega olhando-o e me encara. Olho de volta. Descubro que seu nome é Olly. Talvez eu não possa prever o futuro, mas posso prever algumas coisas. Por exemplo, estou certa de que vou me apaixonar por Olly. E é quase certo que será um desastre."


Já pensou se as coisas mais simples do mundo fizessem mal à você? Se tudo o que estivesse fora da sua casa te fizesse mal? E não só isso, se nada realmente pudesse entrar sem ser testado, analisado ou passar por uma desinfectação? Você já pensou em como seria se tivesse alergia ao mundo? Essa é a vida de Madeline, que aos 18 anos tem sua vida controlada por causa de uma doença rara chamada IDCG. As paredes de casa são o seu limite, ela não pode fazer as coisas normais e raramente recebe visitas (quando isso acontece a pessoa tem que ser super analisada, estar mais que cem por cento saudável e ainda passar por uma descontaminação - no estilo usada para entrar em salas estéreis nos hospitais. Até o ar que entra em sua casa passa por um longo processo de filtragem.
"No início, não havia nada. E então, de repente, havia tudo."
Madeline foi diagnosticada quando ainda era bebe, antes de seu irmão e seu pai morrerem em um acidente e essa é a vida que ela conhece. Ela estuda online, lê um monte (tem várias referências literárias) e sua diversão se resume as conversas com Carla - que é sua enfermeira e praticamente sua única amiga - e os jogos que tem com sua mãe. Ela sabe que não pode ter uma vida diferente, mas isso não quer dizer que ela não tenha curiosidade. E tudo aumenta quando uma nova família se muda para a casa ao lado.

Ela já passou por isso antes, ela sabe que não pode conhecer ninguém pois um dia eles irão embora como os vizinhos anteriores e ela irá sofrer. Mesmo assim, nada impede que sua atenção seja atraída para Olly - um garoto diferente, que começa a fazer parte dos seus pensamentos. Madeline atrás das cortinas também chama a atenção de Olly e os dois começam a trocar e-mails e conversar online. Assim, seus dias começam a ter mais cor, mais graça, mais sentido. Acontece que Olly é seu segredo, e além da amizade ela começa a se apaixonar por ele também - mesmo sabendo que o relacionamento dos dois não seria possível.
"Um universo que pode ser criado em um piscar de olhos também pode ser destruído com o mesmo movimento."
Esqueça todas as histórias de amor impossível onde as famílias são inimigas, onde o dinheiro é o que separa o casal ou qualquer coisa que você possa pensar. Madeline tem uma doença que a impede de todas as coisas normais, ela não pode nem tocar a mão de Olly, quem dirá beijar ou ter algo a mais. Mas e se pudesse? E se ela se esquecesse por apenas um minuto que não pode ir lá fora e simplesmente saísse?
"- Newton estava errado - o universo não é determinista. (...)
- O que isso significa? (...)
- Significa que uma coisa não leva sempre à outra. (...) Significa que você pode fazer qualquer porcaria certa e mesmo assim sua vida pode se transformar numa merda."
Nicola Yoon conta uma história super comovente e que faz a gente refletir muito. Sabe quando a gente acredita que não tem nada, mas que tem tudo? Já imaginou como seria não saber como é o calor do sol direto na pele, ou o cheiro da grama molhada pela chuva? Já pensou como seria nunca ter sentido a chuva ou a textura da areia nos pés? Ao mesmo tempo que a história é triste e sensível nesse ponto, a narrativa é leve, fofa e super envolvente.

Madeline quer mais da vida, mas ainda assim ela agradece pelo que tem. Sua relação com a mãe é linda - e mesmo ficando com raiva em alguns momentos por causa das atitudes que sua mãe tem, dá para entender. Carla me pareceu aquela enfermeira que se torna parte da família e que é claro o amor que tem por Madeline. Ela tem um bom coração e com certeza teve muito a ver com a personalidade da Madeline.
"Às vezes você faz as coisas pelos motivos certos e outras pelos errados. Há ainda aquelas vezes em que é impossível saber a diferença."
Olly é um garoto encantador, daquele que te conquista a cada detalhe. Que faz com que você se sensibilize com sua história que também tem suas dificuldades. Que te faz ter vontade de encontrar, de dar colo, de se tornar amiga. É fácil se interessar por ele, mais fácil ainda se apaixonar por ele. Assim como é fácil se apaixonar por Madeline e pelos dois juntos. É um romance fofo e encantador que não tem como ficar indiferente.




Com certeza, Tudo e todas as coisas foi um dos livros mais fofos que eu li esse ano. Embora tenha seu toque de drama, a leitura é super fluida e a forma de narrativa escolhida pela autora deixou o livro leve e envolvente. Li em poucas horas, terminei com um sorrisinho bobo no rosto, a vontade de ler de novo e a certeza de que indicaria ele para muita gente. É uma leitura gostosa, que foi muito tocante e vai seguir comigo por muito tempo. Virou um dos meus queridinhos e só posso dizer que vale muito a pena ler!

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07/07/16

Uma História Incomum sobre Livros e Magia - Lisa Papademetriou


Duas meninas encontram um livro mágico e cada uma se vê envolvida numa história que parece ser contada sozinha. 
Kai chega ao Texas para visitar sua tia-avó Lavinia – uma senhora extravagante, durona e fã de hip-hop. Do outro lado do mundo, no Paquistão, Leila deseja ser tratada como uma princesa pela família de seu pai e viver fortes emoções. 
Elas só não fazem ideia de que seus mundos completamente diferentes estão prestes a se chocar graças a um enigmático livro em branco. 
Quando Kai escreve no livro, suas palavras magicamente aparecem no exemplar de Leila. As meninas então percebem que O cadáver excêntrico reage a cada frase acrescentada – não importa se foi inspirada pelo ataque de um chihuahua ou por um mal-entendido com uma cabra – com um trecho da história de amor vivida por Ralph Flabbergast e Edwina Pickle mais de cinquenta anos antes. 
Uma história incomum sobre livros e magia entrelaça essas três perspectivas – de Kai, Leila e Ralph – de uma forma divertida e emocionante. É uma narrativa mágica sobre o destino e os laços invisíveis que nos ligam uns aos outros.



Já falei por aqui que sou aquele tipo de leitora que adora um título grande, e quando isso soma com uma das minhas coisas favoritas que são os livros fica ainda mais perfeito. Então, esse foi o motivo de Uma história incomum sobre livros e magia entrar na lista de desejados. Isso sem nem levar em conta a linda capa, eu amar borboletas e a diagramação fofa e perfeita da Editora Arqueiro.


O livro conta a história de duas meninas em dois pontos diferentes do planeta mas com algumas coisas que a conectam. As duas estão passando o verão em um lugar que não conhecem e tentando achar onde é que elas se encaixam.

Leila não se sente em casa nos EUA pois suas raízes paquistanesas a destacam, mas quando chega ao Paquistão para passar as férias com seus tios, sua educação a torna diferente de todas lá também.  Kai chegou a casa de sua excêntrica tia-avó no Texas para passar as férias. Lavínia é completamente diferente de sua mãe, sem falar que é durona, adora hip-hop e acha que Kai tem idade suficiente para se cuidar sozinha. De um jeito diferente de Leila, Kai também se sente deslocada e sentindo que não se encaixa onde morava, mas também não sabe se conseguirá se encaixar no Texas.
"Sentiu uma onda de tristeza, embora não soubesse por quê. Não sabia que, às vezes, encontrar um amigo de verdade pode nos fazer perceber melhor a solidão que há na nossa vida até aquele momento."
As duas meninas, de maneiras diferentes estão passando pelo mesmo dilema de tentar se encaixar e se encontrar. Acontece que a conexão entra as duas se torna maior quando cada uma delas tem sua atenção voltada para um livro misterioso com chamado O Cadáver Excêntrico.

Esse livro chama a atenção de cada menina de uma maneira diferente e é onde a magica começa. O livro está em branco, mas é mais do que isso. Acontece que quando uma delas escreve no livro, automaticamente a história aparece no livro da outra. E mais, também parece se escrever sozinho e reage tanto a cada frase escrita como a cada acontecimento na vida de cada uma das meninas. Parece confuso? Até é um pouquinho, mas a narrativa logo ganha ritmo e vai se tornando interessante a cada página.


Uma história incomum sobre livros e magia é daqueles livros diferentes e fofos onde encontramos três histórias diferentes acontecendo - a de Kai, a de Leila e a de Ralph, que é o personagem principal do livro que as meninas encontram. O mais interessante de tudo é como a autora escolheu contar a história desses personagens que não se conhecem, nunca se viram e que não sabem absolutamente nada um do outro, mas que de certa forma tem suas vidas interligadas pela magia de um livro. 

"Parecia o máximo quando acontecia nos livros! Mas, agora que estava vivenciando a aventura, queria poder ir para casa. Bem, talvez não para casa. Não ainda. Só queria ir a algum lugar que não fosse mágico. Algum lugar onde se sentisse à vontade. Algum lugar onde os livros não ficassem seguindo as pessoas."
Com uma narrativa envolvente e mágica, Lisa Papademetriou conta uma história incomum que vai se interligando a cada capítulo, que fala sobre se sentir diferente e encontrar seu lugar, sobre momentos vulneráveis em que encontramos mais força do que parecemos ter, sobre amizade e como a vida pode ser incrível quando acreditamos um pouquinho nas coisas mágicas que acontecem ao nosso redor - até mesmo aquelas que não percebemos como magia. É aquele tipo de leitura que até pode ser um pouquinho confuso no início mas que consegue ser marcante, emocionante e ao mesmo tempo leve e divertida. Uma história incomum sobre livros e magia é uma leitura diferente e muito encantadora.

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03/07/16

No Limite do Desejo - Katie McGarry

Haley é campeã de kickboxing, mas, após enfrentar uma tragédia, jurou nunca mais pôr os pés no ringue. Até o dia em que o cara em quem ela não consegue parar de pensar aceita uma luta de MMA em homenagem a ela. De repente, Haley tem de treinar West Young. Cheio de atitude, West é tudo o que Haley prometeu a si mesma evitar. Ainda assim, ele não vai durar cinco minutos no ringue sem a ajuda dela. West está escondendo um grande segredo de Haley, sobre quem ele realmente é. Mas ajudá-la lutar por ela é uma chance para a redenção. Ele não pode mudar o passado, mas talvez possa mudar o futuro de Haley. Haley e West combinaram de manter o relacionamento estritamente dentro do ringue. Mas, conforme uma ligação inesperada se forma entre eles e o desejo chega ao limite, eles terão de enfrentar seus medos mais obscuros e descobrir se vale a pena lutar pelo amor.


Sabe aqueles livros que você nem sabia que iria sair, mas que ao ver tem a certeza de que precisa ler o quanto antes? Foi o que aconteceu no momento em que fiquei sabendo do lançamento por aqui de No limite do Desejo. Como eu sou terrível com nomes, só de ler a sinopse fiquei me perguntando quem era o West - mesmo tendo a certeza de que iria gostar dele...

West é um dos irmãos da Rachel, que conhecemos em No limite do Perigo. Ele não está em seu melhor momento e conhecemos ele na melhor fase badboy revoltado que briga de graça. Acontece que exite um motivo para isso, e mesmo achando que ele faz nada certo na vida, ele tem um coração. Tanto que ele nem pensa quando resolve proteger a garota que ele quase atropela em uma noite na região perigosa da cidade.
"Se ela entende o que é não ter uma casa, também entende a rejeição? Entende a devastação de não ser amado por tudo que já amou?"
Haley prometeu para si mesma que nunca mais iria lutar. Mesmo sendo campeã de um título nacional de kickboxing, as coisas não deram muito certo na vida dela e agora, ela precisa consertar as coisas e proteger as pessoas que ela mais ama. Para isso, ela precisa abrir mão da luta. Acontece que aquele cara desconhecido voltou para protegê-la - e ele não tem chance com os caras que a atacaram. Sendo assim, ela volta para defender o cara e luta com os atacantes que ela estava apenas tentando fugir.

O encontro dos dois é engraçado já que a gente sabe que a Haley daria conta dos caras. Tudo fica mais engraçado pelo fato de que, o West acredita que precisa defender aquela garota - mesmo quando eles tem um encontro esquisito na escola e ela diz a ele que é problema e que o melhor é ele ficar longe. É assim, que ele acaba aceitando resolver as coisas no octógono, em uma luta oficial de MMA. Acontece que ele não é um lutador treinado como um de seus possíveis rivais - e a única saída é Haley tentar ajudar treinando ele durante os dois meses que antecedem a tal luta.
"Fui estúpida. Eu me apaixonei pelo garoto errado. Ele me machucou, e arquei com as consequências. Ele me machucou, e eu desabei. Ele me machucou e o resto do mundo vai me condenar para sempre."
Haley... Eu adorei essa garota. Ela se acha forte e tenta carregar o mundo nas costas, daquele jeito que age como se não precisasse  de ajuda pois é trabalho dela consertar as coisas. Mas ela precisa de ajuda e vê-la entender e perceber que isso não é sinal de fraqueza é uma das melhores partes da história. Apesar de cortar o coração algumas coisas que acontecem, é bom ver que os personagens crescem e aprendem como superar. A Haley é uma lutadora que desiste de lutar. Muitas coisas acontecem com ela e como se isso não bastasse, o namoro acaba de um jeito bem ruim. O pior é ver ela se culpando por algo que ela não tem a menor culpa.

West... Embora ele se sinta culpado por fatos inclusive fora de suas responsabilidades, dá para entender o motivo de ele ser assim. A família Young tem seus problemas e a Rachel não foi a única que sofreu e precisou se encontrar. West busca uma redenção. Ele precisa disso para provar a si mesmo que ele pode fazer algo certo ao menos uma vez. Não é que Haley não pode cuidar de tudo sozinha, ele entende que ela pode inclusive dar uma surra nele - mas isso não quer dizer que não vale a pena entrar em uma luta por ela, em provar que ele pode fazer algo certo.
"Não é grande coisa, mas é alguma coisa, e há momentos na vida em que você precisa de alguma coisa, por menor que ela seja."
No limite do Desejo é incrível do início ao fim. É intercalado entre a narração de Haley e West e os dois tem um monte de coisas nas costas para dois adolescentes. Eles se sentem atraídos um pelo outro, mas também sentem que podem fazer mais um pelo outro. Como nos livros anteriores, mesmo jovens eles tem seus demônios para combater e isso dá uma carga de emoção para o livro que deixa a leitura super intensa. Os dois mudam um ao outro, enquanto vão mudando a si mesmo e compreendendo que tem coisas que não dependem da vontade, assim como pedir ajuda não é um sinal de fraqueza.

O livro tem uma história completa e pode ser lido como um livro solo - dá para entender tranquilamente sem ter lido os outros da série. Mas, na minha opinião seria interessante ler em sequencia. É que os três primeiros são dos amigos Noah, Beth e Isaiah e tem muito dos três em cada livro (eu acho que não dá para conhecer o Isaiah somente por No Limite do Perigo, já que são algumas atitudes de livros anteriores que fazem a gente acabar torcendo pelo improvável casal). E esse é do irmão da Rachel, West, e se passa durante os 3 meses em que a história de Rachel e Isaiah dá um salto. Tem um acontecimento sério com a Rachel quase no final do livro anterior e o West se culpa por isso. Não vai atrapalhar a leitura desse, mas pode tirar um pouco da emoção final do livro anterior ao ler fora de ordem.
"Não sou tímido. Nunca fui. Pessoas, festas, multidões: essa é minha praia. Mas estar perto de Haley de novo... Encontrei minha kriptonita."
A capa e o título levam a imaginar uma história mais quente, mais sensual e já vi comentários que acharam que era uma série erótica. No Limite é um New Adult e bem leve na questão sexual se comparada a outros livros do gênero. No caso de No Limite do Desejo o relacionamento entre o casal até tem uma pegada de conquista, de frases de duplo sentido e de um clima mais hot, mas ele tem o tom certo e nada de exageros - inclusive é o mais leve nesse sentido entre os outros da série.

Quanto a revisão, eu encontrei alguns errinhos no livro - de digitação, de concordância e até de nome trocado nos personagens. Erros acabam passando e eu sou da opinião que nenhuma revisão é 100% perfeita. Uma certa quantidade de erros é aceitável e não chegam a tirar o brilho da história. A única coisa chata foi os nomes trocados em duas ocasiões já que isso atrapalhou o ritmo da leitura e não sei se foi falha da tradução/revisão ou se está assim no original também.
"Eu me sinto pequena perto dele, frágil. Como se West percebesse o segredo que escondo: posso quebrar, se é que já não estou quebrada."
O que eu mais gosto nos livros da Katie é a quantidade de sentimentos reais que existe em suas histórias. Apesar de ter um final feliz, a gente sabe e sente que as coisas não foram fáceis durante o caminho e provavelmente não serão no futuro, mas que o importante é que eles conseguem se entender e ficar juntos. A vida não tem essa coisa de "ser feliz para sempre e agora nada mais nos abala" como alguns finais de romances em alguns livros. Essa realidade é o que faz com que No Limite seja uma das minhas séries preferidas do gênero - e que me deixa empolgada e querendo conhecer os outros livros da autora. Adorei o espaço que a Abby teve nesse livro - e mais ainda por saber que o próximo livro da série é com ela. No GoodReads aparece como lançamento esse mês nos EUA e eu espero que logo chegue por aqui também. Terminei a leitura desse já contando os dias para ler o próximo!

No Limite do Desejo tem uma história de amor, tem uma busca dos personagens por se tornar melhor, tem amizade e tem aquela coisa de mostrar que nem sempre o que a gente sabe e o que a gente ouve dos outros é a verdade. Boatos nem sempre estão certos e primeiras impressões podem ser contrárias ao que as pessoas são de verdade. Como sempre, o final deixa aquele gostinho de quero mais e de querer voltar a rever os personagens. Já disse que sou apaixonada pela série, mas acredito mesmo que vale a pena dar uma chance aos livros. Vai ser bem difícil eles não te conquistarem!

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Além-Mundos - Scott Westerfeld


Darcy Patel escreveu seu primeiro livro em um mês. Não muito tempo depois, se mudou para Nova York, para realizar o sonho de viver de escrever. Lizzie se prepara para mais uma viagem de avião, até terroristas invadirem o aeroporto e começarem a atirar em todos. Desesperada, Lizzie se joga no chão. Eu estou morta, eu estou morta... No fim, está tão convencida de pertencer ao lugar dos mortos que acaba atravessando a fronteira do além-mundo. Darcy criou Lizzie. A menina de Além-mundos é sua protagonista. Enquanto Lizzie se vê cada vez mais envolvida nos assuntos dos mortos e do submundo, Darcy luta para se manter no paraíso do YA, na Big Apple, e quanto mais Darcy aprende e amadurece, mais a história de Lizzie também cresce. Ou seria o contrário? Sempre atravessando as barreiras entremundos, as duas irão se redescobrir, se reescrever e explorar os infinitos mundos dentro de si mesmas.


Quando vi a divulgação de Além-Mundos, fiquei super curiosa e querendo finalmente conhecer a escrita do Scott Westerfeld. A premissa é interessante: uma adolescente escreve seu primeiro livro em um mês e consegue um super contrato para publicação dele. Ela se muda para Nova York e sonha em viver só da escrita. Lizzie está voltando para casa depois de uma visita ao seu pai e um atentado terrorista acontece no aeroporto em que ela está. A moça da emergência sugere que ela se finja de morta para se salvar - e Lizzie acredita tanto nisso que acaba atravessando a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos. A conexão das duas? Foi Darcy que criou Lizzie, a protagonista de seu livro.

Os capítulos são intercalados entre a história de Darcy e a história de Lizzie. É um livro dentro de um livro e, mesmo curtindo a ideia, demorei um pouco para pegar o ritmo. É que cada vez que ficava curiosa com algum acontecimento da vida de Darcy acabava o capítulo e ia para a Lizzie. Aí quando estava super curiosa com alguma coisa da vida da Lizzie, voltava para a vida da Darcy. Para uma pessoa cheia de ansiedade como eu, isso foi irritante ao mesmo tempo que fez com que eu não largasse o livro sem saber de todos os detalhes das duas vidas.
"Ela havia mudado o arco da própria trajetória, simplesmente digitando alguns milhares de palavras todos os dias por um mês." (pág. 26)
Darcy nunca morou sozinha e tem que aprender a se virar em uma cidade grande. Sua vida passa a ter grandes nomes, inclusive em seu open house - no apartamento dos sonhos que ela encontra no primeiro dia de procura. Ela também tem seu primeiro beijo - e se você acha que já viu um relacionamento rápido, prepare-se para um "eu gosto muito de você" depois de apenas um dia e um beijo. Mesmo assim, a Darcy não conseguiu me conquistar e me pareceu bem irreal.

Quer dizer, uma adolescente de 18 anos que escreve seu primeiro livro e, de cara, recebe uma enorme quantia por ele? Além do mais, ela diz que sua vida é toda controlada pelos pais, mas mesmo assim eles a deixam ir morar sozinha em Nova York? E o primeiro livro de uma iniciante é aceito pela primeira editora que ela manda sem nenhuma rejeição? Ok, eu sei que é ficção, assim como sei que tem muitos escritores bons por aí esperando uma chance. Mas ficou me parecendo uma sorte muito forçada, ainda mais se a gente pensar que até Harry Potter recebeu alguns 'nãos'.

Acontece que de algum modo, a história de Lizzie - que era para ser completamente ficção - parecia mais real do que a da Darcy. Foi mais fácil acreditar que uma garota em uma experiência de quase morte pode encontrar um outro mundo e que fantasmas existem do que acreditar na sorte editorial de Darcy. Isso sem nem falar que a própria Lizzie parece bem mais interessante que a Darcy.  Para mim, foi muita informação junta e com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. São dois mundos completamente diferentes, que tem uma ligação mas que ao mesmo tempo, cada um por si só já daria uma boa história.
"Minha agente disse que foi aquele primeiro capítulo. Ela disse que os compradores das grandes cadeias só têm tempo de ler um capítulo. Então, se o livro tem um início matador e uma capa maneira, vai estar em todas as livrarias." (pág. 134)
Acho que a citação acima é a que mais se encaixa com o que eu senti do livro. Os dois primeiros capítulos - o primeiro da Darcy e o primeiro da Lizzie são realmente bem interessantes e parece que tudo vai acontecer. Me deixou na maior empolgação e querendo conhecer essas duas garotas e seus dois mundos. Mas sabe quando um livro te empolga logo de cara, mas não consegue te convencer durante a leitura? Infelizmente foi isso o que aconteceu comigo e com Além-Mundos. Acho que a empolgação e as expectativas eram tão altas que não tinha como não me decepcionar um pouco.

Mesmo não tendo me ganhado completamente, não desisti do livro. Pode não ter sido tudo o que eu esperava, mas mesmo assim alguma coisa na narrativa conseguiu me prender e me fazer ir até o final. E olha que isso é muita coisa para uma leitura de mais de 500 páginas. Talvez eu não estava no momento certo para ler, talvez não tenha sido a leitura certa no momento certo, talvez se eu não tivesse ido com tanta sede tivesse gostado ainda mais da leitura. Não foi uma leitura perfeita, mas com certeza teve seus bons momentos e é possível que seja o livro certo para você e que você curta muito a leitura.

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25/06/16

Pode Beijar a Noiva - Patricia Cabot

Quando tudo parece estar perdido para Emma Van Court, que acaba de se tornar viúva, a promessa de uma grande fortuna lhe cai dos céus. Mas há uma condição para abocanhar a herança: ela terá de se casar novamente. Como não se especificou o noivo, todos os homens da pequena Faires, na Escócia, resolvem participar dessa corrida do ouro e passam a disputar as atenções da jovem viúva.
Os competitivos pretendentes só não contavam com a presença de James Marbury, primo do falecido marido, Stuart, que chega ao vilarejo para ajudar Emma com os trâmites do inventário. No passado, os dois tiveram uma aproximação, e James ainda nutre fortes sentimentos pela, agora, viúva.
Conseguirá ele afastar a horda de interesseiros pretendentes e finalmente se juntar à sua amada?
"Era inacreditável que um homem pudesse ser tão exasperador e ao mesmo tempo tão atraente!"
Já fazia um bom tempo que eu queria ler algum livro da Meg escrevendo como Patricia Cabot. Ouvi vários elogios, então não era de hoje que Pode Beijar a Noiva estava em minha lista. E o relançamento da Planeta com uma nova capa me deixou ainda mais empolgada para, finalmente realizar a leitura.

Pode Beijar a Noiva conta a história de Emma, uma garota simples, que ficou órfã quando pequena e foi criada na sociedade londrina por caridade de alguns parentes. Acontece que ela se encanta e se apaixona por Stuart. Principalmente pelo seu desejo de ser um cura (pároco) e a ajudar os que mais necessitam. Como a família não aceita bem - nem o relacionamento e nem a decisão de Stuart  - os dois fogem para Faires - uma pequena vila na Escócia.

Tudo ia muito bem para os dois, mesmo com as necessidades financeiras, até que Stuart morre e deixa Emma sem nada. Para complicar um pouco as coisas, a morte de Stuart rendeu a Emma uma bela herança, mas o juiz resolveu que, por ela ser mulher, não pode receber o dinheiro enquanto não se casar de novo. Esse detalhe, faz com que todos os homens de Faires disputem a atenção da viúva - que não pensa em se casar de novo tão cedo e tenta da melhor forma que pode sobreviver e fugir dos pretendentes.
"Se quiser realmente conquistá-la, e eu acho que Milorde quer, terá de cortejá-la."
James, ao ficar sabendo da morte de seu primo - um bom tempo depois - vai a Faires na tentativa de ajudar Emma com o inventário e trazer de volta a Londres ela e o corpo de seu primo. Acontece que James sempre gostou de Emma - e era por isso que ele não queria aceitar o casamento dela com seu primo - e nem podia imaginar o quanto ainda nutria sentimentos por ela. Mas como se convencer de que ele é merecedor dela, e convencer ela a lhe dar uma chance?

Desde a primeira página do livro a gente percebe que existe a boa e velha falta de comunicação. Eu não tinha lido a sinopse e mesmo assim, quando no prólogo James se mostra contrário ao casamento a minha primeira reação foi 'então porque você não diz que não quer que ela se case com ele porque deve se casar com você?'. Acontece que James é um cara que não pensa em casamento e Emma sabe disso. Ela tem um carinho por James, mas sabe que ele não é o homem para alguém tão simples como ela.

Ao chegar na vila, Emma não quer largar tudo e voltar para Londres como James sugere. Ela não pode largar as crianças que ela tenta, mesmo que precariamente, ensinar alguma educação básica. E também não pode revelar onde enterrou James. O dinheiro da herança seria muito bem vindo e ela poderia ajudar muitas pessoas com ele - mas seus pretendentes não pensam assim. E James quer ajudar Emma, da forma que puder então o que ele sugere? Sim, é agora que entra o clichê do falso casamento.


Falta de comunicação, casamento fingido, um casal que gosta um do outro mas que acha que não é reciproco. Sim, são muitos os clichês e sim, você já leu essa história antes. Acontece que de alguma forma, a narrativa de Cabot é tão gostosa de acompanhar que você quer saber como irá se desenrolar a história.

Confesso que eu esperava um pouquinho mais da história. Em algum momento achei que o segredo que impedia Emma era algo mais sério, ou até mais interessante. Mesmo assim, Pode Beijar a Noiva é aquele tipo de leitura gostosa de se fazer para passar o tempo. A escrita é leve, super fluida e quando você menos perceber já terá encontrado o final feliz. É um livro para relaxar e não pensar em muita coisa, só curtir. Perfeito para uma pausa entre leituras mais densas ou complicadas.

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