Quando tudo volta – John Corey Whaley
09/05/2014
Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.
Quando tudo volta entrou na minha lista de leituras devido a frase que está na capa: “Porque eu estou acordado em um mundo de pessoas que dormem”. Foi isso que me ganhou e foi isso o que eu fiquei buscando durante toda a leitura.
"– (...) Você acha que alguém em Lily cresceu sonhando em construir uma família aqui? Você acha que se todos eles pudessem não partiriam amanhã mesmo?
(...)
Era o que acontecia em Lily. As pessoas sonhavam. As pessoas partiam. E todas elas voltavam." (pág. 41)
O livro nos mostra Cullen Witter, um adolescente de 17 anos que mora na pequena cidade de Lily – Arkansas. Cullen é um menino que gosta mais de pensar do que de fazer e que é meio estranho já que volta e meia fala de si mesmo na terceira pessoa e também “vê” as pessoas virando zumbis. Tudo muda na sua vida quando o pica-pau Lázaro reaparece em sua cidade e junto com isso, seu irmão Gabriel desaparece.
“– Se eu visse o pássaro, não diria a ninguém – ele me disse, certa tarde, em casa. – As pessoas meio que conseguem estragar tudo mesmo quando estão tentando ajudar.” (pág. 54)
Em alguns capítulos acompanhamos também a história de Benton Sage – um religioso em uma viagem missionária na África que duvida da importância e impacto que ela tem na vida dos africanos locais. Esse ponto de perda de fé e encontro da mesma na visão de Cabot acaba não fazendo muito sentido no início e me peguei pensando em como tudo iria se encaixar.
Fui surpreendida ao ver como tudo acaba se ligando – embora eu particularmente preferisse que tivesse uma anotação de passagem do tempo. Alguns capítulos me deixaram um pouco confusa até perto do final e senti que isso tirou um pouco do brilho da leitura.
“– (...) E estamos aqui, largados neste lugar horrível chamado Terra, para fazer o quê?
(...)
– Ficarmos sentados aqui apodrecendo como se fôssemos animais. Todo mundo espera que finjamos que está tudo bem e que tudo vai ficar bem. Bom, não está tudo bem. Nada mais está bem. Odeio esta casa. Odeio esta cidade.” (pág. 146-147)
Whaley nos apresenta personagens com qualidades e defeitos, ações e reações que os deixam bem próximos da realidade. O que senti por eles foi bem parecido com o que sinto por algumas pessoas – gostei de alguns, tolerei outros. Penso que é muito interessante a mania que Cullen tem de criar títulos de livros que gostaria de escrever, assim como o fanatismo religioso de Cabot – e como ele chegou a esse ponto – levantam questões interessantes para o leitor refletir.
Por fim, eu consigo entender o motivo de tantos elogios e até mesmo dos prêmios que o livro ganhou. Quando tudo volta é meio como aqueles livros controversos – que é difícil dizer se é bom ou ruim pois muitos amam e muitos odeiam. Não é um livro para qualquer leitor, mas você só vai saber se ele é ou não para você se ler. Então, arrisque!!!










