Achados & Perdidos - Brooke Davis
11/12/2016
Millie Bird é uma garotinha de apenas 7 anos que já sabe muita coisa. Ela já descobriu que todos nós um dia vamos morrer. Em seu Livro das Coisas Mortas, ela registra tudo o que não existe mais. No número 28 ela escreveu “Meu Pai". Millie descobriu também, da pior forma possÃvel, que um dia as pessoas simplesmente vão embora, pois a mãe dela, abalada com a morte do marido, a abandona numa grande loja de departamentos. Ela só não está triste porque conheceu Karl, o Digitador, um senhor de 87 anos que costumava digitar com os próprios dedos frases românticas na pele macia de sua mulher. Mas, agora que ela se foi, ele digita as palavras no ar enquanto fala. Ele foi colocado pelo filho em uma casa de repouso, porém, em um momento de clareza e êxtase, ele escapa, tornando-se então um fugitivo. Agatha Pantha é uma senhora de 82 anos que mora na casa em frente à de Millie e que não sai mais, nem conversa com ninguém, há sete anos. Desde que o marido morreu, ela passou a viver num mundinho só dela. Agatha preenche o silêncio gritando, pela janela, com as pessoas que passam na rua, assistindo à estática na televisão e anotando em seu diário tudo o que faz. Mas, quando descobre que a mãe de Millie desapareceu, ela decide que vai ajudar a menina a encontrá-la. Então, a adorável garotinha, o velhinho aventureiro e a senhorinha rabugenta partem em uma busca repleta de confusões e ensinamentos, que vai revelar muito mais do que eles imaginam encontrar.
Millie Bird é uma garotinha de sete anos que já sabe muitas coisas. Ele é um docinho, que desde cedo começou a perceber que as coisas ao seu redor estão sempre morrendo. Assim, ela tem um caderno de Coisas Mortas, onde ela anota tudo o que encontra morto. Mas ela não poderia imaginar que o número 28 seria seu pai.
" Ela sabe que o bebê sai daquele buraco por onde se faz xixi, mas não viu as fotos disso. Quando Millie nada no mar, sempre toma cuidado ao fazer xixi, para ver se não sai nenhum bebê. Só. Por. Precaução." (pág. 29)
Após isso, as coisas não foram exatamente as mesmas, mas Millie está tentando ser uma boa menina, então ela tenta aprender muito rápido o que deve e o que não deve fazer. Ela sabe algumas coisas. Sabe que não pode ficar no caminho da sua mãe enquanto ela limpa a casa, e também sabe que precisa obedecer quando sua mãe a coloca em frente a uma arara de calcinhas gigantes e a informa que ela deve esperar ali. Acontece que sua mãe não volta logo e ela sabe como chegar em casa. Mas ela é uma boa menina e sua mãe disse que ela deveria esperar ali, então, ela espera.
" Karl se sentou na primeira fileira e ficou olhando para o caixão, quase sem respirar. Parecia estranho respirar quando ela já não podia mais fazer isso." (pág. 25)
É na loja de departamentos que ela conhece Karl, o Digitador. Ele é um senhor de 87 anos que digita tudo o que fala antes de dizer em voz alta as palavras. Ele perdeu o grande amor da vida dele e foi morar com o filho, mas depois de um tempo acabou indo para uma casa de repouso. Embora a enfermeira fosse bem atenciosa, ele acabou percebendo que nunca fazia o que queria, então ele fugiu e, claro que a Millie não irá contar nada a ninguém.
" Sentou-se na cama e envolveu os joelhos com as mãos em conchas. Como envelhecemos sem deixar a tristeza tomar conta de tudo?" (pág. 57)
Agatha perdeu o marido a sete anos. Depois disso, ela não saiu mais de casa e passa seu tempo anotando tudo o que faz em seu diário, assistindo a estática da televisão e gritando pela janela fechada sobre o que vê em sua rua. Aos 82 anos, ela fala sozinha e pode não saber muito sobre o mundo, mas ela sabe sobre as coisas na sua rua e é impossÃvel não acabar cedendo e tentando ajudar a menininha do outro lado da rua que está completamente sozinha. Não, ela não vai deixar a mãe dela escapar assim tão fácil.
A ocasião acaba unindo essas três pessoas, que juntas partem em busca da mãe de Millie, mas que encontram muito mais do que poderiam esperar pelo caminho. É um livro que é lindo, mesmo com os vários momentos tristes. Que é leve, mesmo com os vários momentos em que existe um nó preso na garganta por causa de todas as situações.
" Ela gostava como as palavras às vezes se chocavam umas com as outras e noutras vezes deslizam uma do lado da outra, com enorme facilidade. Da surpresa que existe nisso."(pág. 100)
Millie tem apenas 7 anos e é encantadora. Juro que por mais que a situação fosse complicada, não tem como imaginar como qualquer pessoa poderia abandonar uma menina como ela. É uma criança que já entende muita coisa, que faz muitas perguntas e que durante todo o livro tem os melhores diálogos. Por ela ter sido abandonada, a leitura se tornou muito difÃcil para mim... Principalmente quando ela pede desculpas por ter feito algo e a mãe ter ido embora. Afinal, ela só pode ter feito alguma coisa para ter sido deixada para trás.
"Agatha olha para ela. O que você fez?
Eu não sei, diz a menininha, e começa a chorar." (pág. 70)
Cativante e comovente, não tem como não se emocionar. Eu ri, chorei e refleti sobre muitas coisas durante a leitura. Ser velho não é estar morto, os jovens não sabem de tudo e muitas vezes é quebrando algumas regras que encontramos os momentos felizes da vida.
Brooke Davis escreveu um livro diferente e interessante. Sua narrativa pode não agradar qualquer tipo de leitor, mas que para mim, funcionou bem.
Achados & Perdidos tem uma mensagem linda, levantando questões sobre morte e abandono e com isso fazendo com que o leitor pense e reflita sobre a fragilidade da vida. Mesmo com algumas coisas que parecem irreais ou um tanto confusas, são muitos os momentos que encantam e emocionam pela poesia do texto e pela peculiaridade de seus personagens.
É um livro delicado, repleto de momentos tocantes e lições importantes. Eu adorei a leitura e, se você gosta de uma leitura um tanto melancólica, é uma boa escolha.













