Adeus à Humanidade – Marcia Rubim
12/11/2012
Uma paixão acendendo após mais de um século de escuridão. Uma doença apagando a luz de uma vida. Somente sua mordida poderia curá-la. Apenas seu tipo sanguíneo seria capaz de matá-lo. Como um amor tão improvável sobreviveria? Do que você seria capaz de abdicar para salvar alguém e vivenciar, mesmo que por pouco tempo, um amor jamais sentido antes? Da cura de milhares de humanos? Da própria vida? Stephanie tinha todos os motivos do mundo para não acreditar em seres míticos ou na felicidade, mas vai descobrir que estava totalmente enganada. Sua alma gêmea existe. O problema é que a linha do tempo que a separa do amor eterno é muito tênue. E somente um milagre possa uni-los novamente.
"Não importa a eternidade que leve até que se encontre o verdadeiro amor, e sim a intensidade com que sentimos quando ele se manifesta em nossas vidas..."
Enquanto leio um livro, eu fujo totalmente do mundo que me rodeia e entro de cabeça no mundo que a história vai criando. Fico sempre tentando me encontrar durante a leitura, e em cada livro estou em um lugar diferente. As vezes entro na história desejando ser a personagem principal, as vezes a personagem parece uma melhor amiga me contando sua vida e outras sou apenas uma espectadora que observa como as coisas estão acontecendo. Não consegui definir meu papel durante a leitura de Adeus à Humanidade…
Stephanie é uma garota comum. Embora seus pais sejam separados, ela tem uma vida normal onde financeiramente nada lhe falta. De uma hora para outra, sua vida vira de cabeça para baixo e ela parece ter todo o peso do mundo em suas costas. De uma hora para a outra ela passa de garota quase patricinha para a responsável pelo sustento da mão e do irmão. Por conta disso eu comecei a ler o livro como apenas uma espectadora. Confesso que em um primeiro momento até achei que a história não iria me fisgar já que nas primeiras páginas tive a impressão de que ela era meio chatinha.
Acontece que Stephanie tem em si um vazio, uma solidão que a faz se sentir diferente e esquisita. Um vazio que faz com que ela se feche e se afaste de praticamente todos a sua volta. Um vazio que nem todos são capazes de compreender.
“ - Sabe, o pior tipo de solidão é aquele em que nos sentimos sozinhos, mesmo estando acompanhados.
Entendia muito bem o que ele queria dizer com isso, parecia até que conseguia ler os meus pensamentos. Na maior parte das vezes, podia ficar cercada de pessoas por todos os lados, mas nunca me sentia acompanhada.
Nunca.
Eu era vazia. E esse vazio teimava em me perseguir por onde quer que eu fosse, independentemente de onde ou com quem estivesse, como um verdadeiro buraco negro no meio do universo.”
Um vazio que me fez compreender ela tão bem como se de certo modo fôssemos parecidas, como se mesmo com várias situações de vida diferentes, fôssemos a mesma. Me fez pensar que meu julgamento em ela ser chata deve ser muito parecido com algumas pessoas que me conhecem a pouco tempo. Nesse momento eu gostaria de ser a personagem do livro. E a partir daí, tudo foi uma turbulência de emoções como poucos livros fazem comigo.
“Sonhar com aquilo que não se pode ter é sinônimo de sofrimento e disso estava fora, cansada. Melhor ser realista e ter os pés no chão do que voar alto e espatifar no primeiro penhasco que encontrasse pela frente.”
Por causa desse vazio, do escudo que ela vai criando ao seu redor, algumas coisas escapam de sua visão e em vários momentos eu me pegava falando sozinha, tentando fazer com que ela percebesse que as coisas eram diferentes do que ela imaginava. Era como se ela fosse minha melhor amiga e pudesse me ouvir. E como ‘amiga’ eu torci durante o livro para ela se enxergar e enxergar logo a realidade.
“E agora diga com sinceridade: como eu poderia acreditar que alguém seria capaz de me amar de verdade, se nem mesmo eu conseguia suportar a minha própria presença oca? E ainda que quisessem arriscar, como minha mãe dizia, o meu imenso ‘escudo’ impediria.”
E claro que o Dr. Richard não colaborava…rs Lindo, exigente, enigmático e inacessível. Quer tempero melhor para um romance impossível? Eu não demorei para ser conquistada por ele, mas isso eu acredito que seja pelo fato de ler muito romance e apostar que suas atitudes são por pura atração. Porém, como só temos o ponto de vista de Stephanie e como ela passa boa parte do livro fugindo dele foi um pouco demorado para conhecer mais sobre esse cara perfeito que só poderia ser um vampiro porque não teria como ele realmente existir nos dias de hoje…rs.
“Nunca as minhas lágrimas desceram tão sofridas pelo meu rosto até então. Foi um choro sem palavras, vazio, perdido.(…) Não tinha forças para respirar, um imenso abismo foi aberto debaixo dos meus pés.”
Mas não me entendam mal… O que poderia ser uma história arrastada já que demoramos para conhecer melhor o Dr. Richard e ver o romance acontecer (que foi o que eu esperava ler a cada página desde que os dois se encontram a primeira vez) não tem nada de arrastado. Foi praticamente impossível largar o livro até que chegasse ao final e confesso que fiquei esperando e querendo mais, muito mais.
“Se Deus ainda me permitisse conceder um único desejo, pediria para que Ele não tirasse o meu ar...
Naquela noite, retribuí ao seu amor com todas as forças, com medo de que cada segundo fosse o último.”
Fiquei um pouco frustrada com o modo que Stephanie descobre a verdade sobre Richard, eu esperava algo diferente embora não saiba exatamente explicar o quê. Mesmo assim foi difícil não se emocionar com as reações levadas por essa descoberta, com o que acontece no aeroporto e… Bom, vocês vão ter que ler para saber.
O fato é que esse detalhe foi o único que me fez pensar em querer algo diferente e logo passou já que as coisas tomaram um rumo completamente inesperado por mim. Quer dizer, a Marcia me deixou em uma turbulência de emoções durante a leitura que foi muita maldade… Foram vários momentos de “agora vai” e “como sair dessa”, um sobe e desce de sentimentos que levei um susto tão grande quando cheguei no epílogo que quase paro a leitura ali mesmo, com medo do que poderia acontecer. E o Epílogo… Bom, só posso dizer que não deixou a desejar e que cumpriu seu papel: me deixar desesperadamente querendo o segundo volume, que se chama Quando a humanidade prevalece (ainda sem data de publicação).
Resumindo, Adeus a Humanidade prende e conquista. Um livro que é muito mais do que somente um romance sobrenatural com vampiros. Na verdade o fato de Richard ser um vampiro e Stephanie uma humana se torna o mais simples dos problemas diante das escolhas que a vida coloca no caminho dos dois. São páginas com o poder de te tirar boas risadas e logo depois te emocionar e deixar seu coração apertado, torcendo para que não aconteça o pior. Impossível terminar a leitura sem ficar pensando em até onde você está disposto a ir para salvar a vida de quem você ama. Marcia Rubim escreveu um livro intenso e ao mesmo tempo doce que para mim foi na medida certa para deixar qualquer leitora apaixonada pela história.
PS: As citações do livro foram deixadas sem as páginas propositadamente e não estão na ordem que ocorrem no livro.
Se você ficou curioso com o livro, aproveita que o mesmo está em promoção na Saraiva. Ou então compre autografado pelo Facebook. Não deixem de comprar o livro, pois precisamos de incentivos para que a editora prossiga com o lançamento dos outros volumes da série. Eu aposto que assim como eu, você vai se apaixonar pela história e ficar ansiosamente esperando pelo próximo volume.










