O Quarto Dia - Sarah Lotz
29/09/2016
Em O Quarto Dia, Sarah Lotz conduz o leitor por uma viagem de réveillon que tinha tudo para ser perfeita. Mas às vezes o novo ano reserva surpresas desagradáveis...
/*/*/*/*/ Preferi não colocar a sinopse completa do livro já que acho que ela entrega demais. Falo bem por cima sobre o enredo na resenha pois acredito que assim a leitura será melhor aproveitada/*/*/*/*/
Sabe aqueles livros que entram por acaso na sua lista de leituras? Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo e O Quarto Dia. Quando a Arqueiro lançou por aqui Os Três, a campanha publicitária foi tão grande e interessante que me deixou com medo de ler o livro. Não por ele ser ruim, mas por eu não curtir livros de terror - eu odeio ficar com medo de alguma coisa. Então, eu nem pensava em dar uma chance para esse já que eu não queria sentir medo. Acontece que eu li algumas resenhas que diziam que não era aquilo tudo (no sentido do terror) e pensei, por que não sair da zona de conforto e arriscar?
Em maio teve evento de literatura nerd para os lançamentos do Douglas Adams e, como sou a mediadora em SC, a Arqueiro mandou alguns livros para serem comentados junto no evento. Entre eles estava O Quarto Dia e na preparação para o evento, acabei decidindo ler o livro para poder me preparar melhor. E o que eu posso dizer? Vou começar pedindo desculpas pois eu ando muito atrasada com as minhas resenhas. Essa já deveria ter entrado a muito tempo mas só agora a postagem está indo ao ar. Segundo? Se você não leu a sinopse do livro, nem leia! Sério - é melhor embarcar na história sem ler a sinopse já que ela revela demais do enredo.
" - Feliz ano-novo, Celine - disse Elise.
A médium levantou a cabeça lentamente, então lhes deu um sorriso de quem sabia segredos, e com traços de algo que parecia malÃcia, pensou Helen.
- Vai ser feliz mesmo - falou ela. - Vocês vão ver." (pág. 58)
É Janeiro de 2017 e estamos no Belo Sonhador, um Cruzeiro de réveillon que tinha tudo para ser perfeito - ao menos é isso que a propaganda da Foveros sugere que seu navio é. E durante os primeiros 3 dias a viagem é relativamente tranquila. E isso não sou eu quem diz, já que a história começa a partir do quarto dia - como o tÃtulo já sugere.
Com quase três mil pessoas a bordo, um acidente acontece e o navio perde o contato de rádio - e também os sinais de telefone e eletricidade. Algo muito estranho está acontecendo e ninguém sabe ao certo o que é. Ninguém sabe o que aconteceu nem o motivo do acidente. E como o capitão insiste que é apenas um contratempo e que logo tudo estará resolvido, fica difÃcil depois de um tempo saber o que é real, o que é ilusão e o que é apenas parte da histeria de alguns passageiros.
" - É para isso que a gente viaja na porra de um cruzeiro, não é? - trovejou ele. - Para encher a cara e rir. E se o navio ar uma de Titanic, quero estar o mais chapado possÃvel." (pág.. 49)
A história é contada em seis pontos de vista diferentes - e ainda temos entradas em um blog e notÃcias de jornais. Pode parecer confuso dizendo assim, mas é tudo muito bem ligado - e o melhor (ou talvez nem tanto para alguns leitores) é que quando você pensa que vai descobrir tudo o narrador muda e estamos em outro ponto do navio, vendo os acontecimentos por outro angulo. Eu achei esse detalhe muito interessante. E mesmo que as vezes eu tenha suspirado por trocar o narrador, os detalhes vão se interligando e a expectativa vai aumentando mais e mais.
Para quem tem preocupação que deve ler Os Três antes, eu não senti a menor diferença ou falta do livro ao ler esse. O grande acontecimento do livro anterior (o sumiço de 3 aviões) ficou conhecido como Quinta-Feira Negra e ela é citada, mas a ligação entre os dois livros é uma vidente que aparece rapidamente em Os Três, mas seu destaque mesmo é nesse livro.
" - Corra adora, Maddie. É hora de se mexer. Você ainda não viu nada. Isso foi só o aperitivo. O prato principal vai ferrar com a porra da sua cabeça." (pág. 282)
O Quarto Dia é um livro interessante e que me deixou contente em arriscar algo diferente do normal para mim. Mesmo com o final meio aberto (já que algumas coisas que aparecem na sinopse não são resolvido ou dadas a importância correta) a narrativa tem algo que te faz querer continuar lendo. Confesso que mesmo com um pouco de receio de ficar amedrontada, eu esperava um pouquinho mais - o que não quer dizer que eu não gostei ou que não vale a pena a leitura. Eu gostei, mas como disse, não sou a maior fã do terror ou do suspense, então quem espera por isso pode se decepcionar. Para quem quer se arriscar no estilo e começar de leve, é uma ótima pedida.











