Tudo e todas as coisas - Nicola Yoon
10/07/2016
"Minha doença é tão rara quanto famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série de alergias. Não saio de casa. Nunca saà em toda minha vida. As únicas pessoas que já vi foram minha mãe e minha enfermeira, Carla. Eu estava acostumada com minha vida até o dia que ele chegou. Olho pela minha janela para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega olhando-o e me encara. Olho de volta. Descubro que seu nome é Olly. Talvez eu não possa prever o futuro, mas posso prever algumas coisas. Por exemplo, estou certa de que vou me apaixonar por Olly. E é quase certo que será um desastre."
Já pensou se as coisas mais simples do mundo fizessem mal à você? Se tudo o que estivesse fora da sua casa te fizesse mal? E não só isso, se nada realmente pudesse entrar sem ser testado, analisado ou passar por uma desinfectação? Você já pensou em como seria se tivesse alergia ao mundo? Essa é a vida de Madeline, que aos 18 anos tem sua vida controlada por causa de uma doença rara chamada IDCG. As paredes de casa são o seu limite, ela não pode fazer as coisas normais e raramente recebe visitas (quando isso acontece a pessoa tem que ser super analisada, estar mais que cem por cento saudável e ainda passar por uma descontaminação - no estilo usada para entrar em salas estéreis nos hospitais. Até o ar que entra em sua casa passa por um longo processo de filtragem.
"No inÃcio, não havia nada. E então, de repente, havia tudo."
Madeline foi diagnosticada quando ainda era bebe, antes de seu irmão e seu pai morrerem em um acidente e essa é a vida que ela conhece. Ela estuda online, lê um monte (tem várias referências literárias) e sua diversão se resume as conversas com Carla - que é sua enfermeira e praticamente sua única amiga - e os jogos que tem com sua mãe. Ela sabe que não pode ter uma vida diferente, mas isso não quer dizer que ela não tenha curiosidade. E tudo aumenta quando uma nova famÃlia se muda para a casa ao lado.
Ela já passou por isso antes, ela sabe que não pode conhecer ninguém pois um dia eles irão embora como os vizinhos anteriores e ela irá sofrer. Mesmo assim, nada impede que sua atenção seja atraÃda para Olly - um garoto diferente, que começa a fazer parte dos seus pensamentos. Madeline atrás das cortinas também chama a atenção de Olly e os dois começam a trocar e-mails e conversar online. Assim, seus dias começam a ter mais cor, mais graça, mais sentido. Acontece que Olly é seu segredo, e além da amizade ela começa a se apaixonar por ele também - mesmo sabendo que o relacionamento dos dois não seria possÃvel.
"Um universo que pode ser criado em um piscar de olhos também pode ser destruÃdo com o mesmo movimento."
Esqueça todas as histórias de amor impossÃvel onde as famÃlias são inimigas, onde o dinheiro é o que separa o casal ou qualquer coisa que você possa pensar. Madeline tem uma doença que a impede de todas as coisas normais, ela não pode nem tocar a mão de Olly, quem dirá beijar ou ter algo a mais. Mas e se pudesse? E se ela se esquecesse por apenas um minuto que não pode ir lá fora e simplesmente saÃsse?
"- Newton estava errado - o universo não é determinista. (...)
- O que isso significa? (...)
- Significa que uma coisa não leva sempre à outra. (...) Significa que você pode fazer qualquer porcaria certa e mesmo assim sua vida pode se transformar numa merda."
Nicola Yoon conta uma história super comovente e que faz a gente refletir muito. Sabe quando a gente acredita que não tem nada, mas que tem tudo? Já imaginou como seria não saber como é o calor do sol direto na pele, ou o cheiro da grama molhada pela chuva? Já pensou como seria nunca ter sentido a chuva ou a textura da areia nos pés? Ao mesmo tempo que a história é triste e sensÃvel nesse ponto, a narrativa é leve, fofa e super envolvente.
Madeline quer mais da vida, mas ainda assim ela agradece pelo que tem. Sua relação com a mãe é linda - e mesmo ficando com raiva em alguns momentos por causa das atitudes que sua mãe tem, dá para entender. Carla me pareceu aquela enfermeira que se torna parte da famÃlia e que é claro o amor que tem por Madeline. Ela tem um bom coração e com certeza teve muito a ver com a personalidade da Madeline.
"Às vezes você faz as coisas pelos motivos certos e outras pelos errados. Há ainda aquelas vezes em que é impossÃvel saber a diferença."
Olly é um garoto encantador, daquele que te conquista a cada detalhe. Que faz com que você se sensibilize com sua história que também tem suas dificuldades. Que te faz ter vontade de encontrar, de dar colo, de se tornar amiga. É fácil se interessar por ele, mais fácil ainda se apaixonar por ele. Assim como é fácil se apaixonar por Madeline e pelos dois juntos. É um romance fofo e encantador que não tem como ficar indiferente.
Com certeza, Tudo e todas as coisas foi um dos livros mais fofos que eu li esse ano. Embora tenha seu toque de drama, a leitura é super fluida e a forma de narrativa escolhida pela autora deixou o livro leve e envolvente. Li em poucas horas, terminei com um sorrisinho bobo no rosto, a vontade de ler de novo e a certeza de que indicaria ele para muita gente. É uma leitura gostosa, que foi muito tocante e vai seguir comigo por muito tempo. Virou um dos meus queridinhos e só posso dizer que vale muito a pena ler!














