Vermelho como o Sangue – Salla Simukka
11/01/2015
No congelante inverno do Ártico, Lumikki Andersson encontra uma incrível quantidade de notas manchadas de vermelho, ainda úmidas, penduradas para secar no laboratório de fotografia da escola. Cédulas respingadas de sangue.
Aos 17 anos, Lumikki vive sozinha, longe de seus pais e do passado que deixou para trás. Em uma conceituada escola de arte, ela se concentra nos estudos, alheia aos flashes, à fofoca e às festinhas dominadas pelos garotos e garotas perfeitos.
Depois que se envolve sem querer no caso das cédulas sujas de sangue, Lumikki é arrastada por um turbilhão de eventos. Eventos que se mostram cada vez mais ameaçadores quando as provas apontam para policiais corruptos e para um traficante perigoso, conhecido pela brutalidade com que conduz os seus negócios.
Lumikki perde o controle sobre o mundo em que vive e descobre que esteve cega diante das forças que a puxavam para o fundo. Ela descobre também que o tempo está se esgotando. Quando o sangue mancha a neve, talvez seja tarde demais para salvar seus amigos. Ou a si mesma.
Eu não vou fazer um resumo da história. Eu penso que nesse caso a sinopse está até um pouquinho informativa demais. Mas nada que estrague a leitura, então se você quiser saber o conteúdo, indico que leia a sinopse acima.
De maneira geral o livro tem umas partes que parecem não fazer sentido num momento mas que faz toda a diferença depois. É como se a história fosse peças de um quebra-cabeças que vai se formando aos poucos. O clima de suspense e mistério é muito bacana. E é a primeira vez que leio algo de um autor finlandês.
"Ela era a peça do quebra-cabeça que não tinha seu próprio lugar, mas poderia de repente preencher quase qualquer buraco que fosse necessário.
Ela não era como os outros.
Ela era exatamente como os outros."
(pág. 28)
Simukka trás uma história com vários detalhes e esses detalhes acabam sendo importantes para a compreensão total do livro. E tem mais... Lumikki é uma personagem incrível. Não chegamos a conhecer muito de seu passado mas dá para ter uma ideia de que ela não teve uma vida fácil. Ela é forte, não se deixa assustar fácil nem leva desaforo para casa. E isso, sem contar que é extremamente atenta e inteligente.
"Havia coisas sobre as quais era melhor não falar.
Havia coisas que ficavam piores se você as nomeasse em voz alta.
(...)
Como seria não ter de sentir medo todos os dias?"
(pág. 90)
Por falar nela... Eu praticamente passei o livro inteiro lendo errado o nome da personagem. Não sei de onde, mas eu lia Lukumi. Sim, loucura minha e totalmente sem sentido. Isso já aconteceu com vocês? Trocar o nome de uma personagem? Aí quase lá no fim eu li certo e fiquei tipo “como assim”? Mas, enfim... Isso foi falha minha, que eu não faço ideia de onde e não que tem nada a ver com a edição do livro ou erro de digitação.
Imagem do blog Books and Much More
Vermelho como o Sangue veio com um kit lindo e uma super divulgação, que me deixou super curiosa e com as expectativas lá em cima. Sabe qual o maior problema das expectativas estarem super altas? Isso mesmo, você se decepciona. Não, eu não me decepcionei exatamente com o livro. Eu devorei ele e com certeza quero ler os outros dois. O problema para mim foi eu não entender a conexão com a Branca de Neve. Tá certo que Lumikki significa “Branca de Neve”, mas ela não tem nem as características da “Branca”. Das duas uma... Ou o detalhe me passou super despercebido ou eu li o livro tão rápido que não me toquei. De qualquer jeito, esse foi um dos detalhes que me desanimou um pouco e que não funcionou para mim. Mesmo assim gostei do livro e quero muito ler Branco como a Neve.










