É melhor não saber – Chevy Stevens
28/05/2013
Sara Gallagher nunca sentiu que pertencesse de verdade à sua família de criação. Embora sua mãe seja amorosa e gentil e ela se dê bem com sua irmã Lauren, a relação com o pai e a irmã caçula, Melanie, sempre foi complicada.
Às vésperas de se casar, Sara decide que está pronta para investigar o passado e descobrir suas origens. Mas a verdade é muito mais aterrorizante do que ela poderia imaginar. Sara é fruto de um estupro, filha do Assassino do Acampamento, um famoso serial killer.
Toda a sua paz acaba quando essa história é divulgada na internet e o pai que ela anteriormente queria conhecer resolve entrar em sua vida de forma avassaladora. Eufórico com a descoberta de que tem uma filha, John vê nela sua única chance de redenção. E, para criar um vínculo com Sara, ele está disposto a tudo, até a voltar a matar.
Ao mesmo tempo, a polícia acredita que essa é sua única chance de prender o assassino e resolve usá-la como isca. Então Sara se vê numa caçada alucinante, lutando para preservar sua vida e a de sua filha.
É melhor não saber é um complexo retrato de uma mulher tentando entender suas origens. Uma história cheia de reviravoltas, na qual ninguém é completamente bom ou mau.
“Quando voltamos para casa, o tapete estava todo destruído. Minha vida é como aquele tapete: levou anos para ser costurado. Agora tenho medo de que, se eu continuar a puxar essa única ponta, tudo se desfaça. Mas não sei ao certo se consigo parar.” (pág. 21)
Conheci Chevy Stevens através de Identidade Roubada. Eu realmente amei o livro e fiquei mais que curiosa para ler É melhor não saber. Quando comecei a leitura, confesso que não tive a melhor das impressões… É que fiquei preocupada ao perceber que o livro começava em uma sessão de terapia e já fui logo achando que seria apenas mais do mesmo. Não foi um mais do mesmo e agora, penso que talvez seria melhor se tivesse sido.
Não que o livro seja ruim, ele não é. A premissa é ótima e a história tinha tudo para dar certo. O problema para mim foi o foco em pontos quase desgastados nesse estilo de narrativa (como o velho vou ou não vou, me encontro ou não me encontro com um assassino) e a falta de profundidade em alguns aspectos das personagens. Adoraria ver explorado melhor algumas características que pai e filha tem em comum e em como elas se mostram de formas diferentes entre um assassino e uma mãe-dona-de-casa. Aposto que a própria Sara poderia ser muito mais interessante.
“Derek era inteligente e divertido, mas não foram essas qualidades que me seduziram. Eu me senti fascinada no instante em que ele disse: ‘Não estou pronto para nada sério agora, porque acabei de romper com uma garota.’ Era isso que me atraía irresistivelmente em todos os relacionamentos: indisponibilidade e uma grande chance de partir meu coração.” (pág. 36)
Falando em Sara… A personagem principal não me cativou muito. Ela tem todas aquelas coisas chatas de “só porque sou adotada ninguém gosta de mim realmente”. Junto com isso ainda tem a teimosia que algumas vezes faz parecer que somente ela tem a razão. E o relacionamento dela com sua filha Ally também não me agradou. As duas me irritaram muito durante a leitura. Embora tenha uma justificativa para Sara tratar Ally do jeito que trata, a criança apareceu para mim apenas como mais uma menina chata e mimada.
Bom, talvez elas nem sejam tão irritantes assim e isso seja só coisa minha. Pode ser que eu esteja pegando pesado demais, pode até ser que eu estivesse lendo cobrando demais da autora e que eu não tenha entendido as personagens. Digo que pode ser coisa minha, porque no fundo, essa irritação toda não foi o suficiente para que eu desistisse da leitura.
“Você alguma vez já sentiu que tinha tudo nas mãos, tudo o que sempre quis, mas de repente o deixou cair ou o apertou com força demais? Durante todo o caminho até aqui, tentei encontrar a analogia perfeita para o que tem acontecido. E não é que é apenas a história da minha vida? Estou sempre tentando torná-la perfeita.” (pág. 224)
Embora tenha achado algumas coisas superficiais demais, penso que o mais interessante em É melhor não saber é que conforme você vai lendo e conhecendo os personagens você percebe que essa coisa de bom e mau é muito relativa. Um personagem aparentemente bom pode ter uma atitude extremamente má, assim como o contrário. E eu adorei demais isso. Fez com que a cada capítulo eu me perguntasse “será que é isso mesmo?”
Não é novidade que eu adoro série policiais (tipo Criminal Minds) e sempre torço para as vítimas (ou iscas) aceitarem ajudar a polícia. Foi interessante olhar a história pelo outro lado e ver o ponto de vista de uma isca (ou vítima). Isso me fez pensar o que eu faria em uma situação dessas e eu ainda não tenho uma resposta segura para essa pergunta…










