A Morte de Sarai – J. A. Redmerski
03/11/2015
Sarai era uma tÃpica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a mantém em cativeiro. Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com meninas que não têm a mesma sorte.
Depois de nove anos trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar. Victor é um assassino de aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo ou seduzi-lo.
Em “A morte de Sarai”, primeiro volume da série Na Companhia de Assassinos, quando as circunstâncias tomam um rumo inesperado, os dois são obrigados a questionar tudo em que pensavam acreditar. Dedicado a ajudar a garota a recuperar sua liberdade, Victor se descobre disposto a arriscar tudo para salvá-la. E Sarai não entende por que sua vontade de ser livre de repente dá lugar ao desejo de se prender à quele homem misterioso para sempre.
Quando eu escolhi colocar A Morte de Sarai em minha lista de leituras os motivos não foram exatamente referente à história. Primeiro, adorei o nome Sarai. Não me pergunte porque, eu só achei que seria muito legal ler um livro com uma personagem com esse nome. Segundo, o nome da série ‘Na companhia de assassinos’ me deixou curiosa e querendo entrar nesse mundo – esperando que fosse algo diferente do que estou acostumada a ler. E por último, ouvi falar que a autora escreve bem, então, resolvi começar a ler seus livros por este (e olha que eu tenho em casa o Entre o agora e o nunca).
"No final, você só pode confiar em si mesma. Eu não sou seu herói. Não sou sua alma gêmea que jamais deixará que nada de ruim lhe aconteça. Sempre confie em seus instintos primeiro e em mim, se decidir confiar, por último." (pág. 181)
Então, sem ler sinopse nem nada, mergulhei na leitura e... UAU!!! Adorei encontrar um livro sem prÃncipe encantado, mas com um personagem masculino que encanta em sua dualidade; sem princesa em um castelo esperando ser salva e sim com uma garota que não desiste de sua liberdade e que com uma arma na mão vai atrás de seu sonho. Adorei encontrar um livro que me deixou sem folego e querendo mais e mais.
"(...) eu menti os últimos nove anos da minha vida. Tudo o que falei, fiz e expressei era mentira. Gosto de pensar que agora já domino essa arte." (pág. 104)
Sarai é forte, inteligente e determinada, que vive em cativeiro e sabe que tem mais sorte do que muitas meninas que estão no mesmo barco que ela. Fugir é suicÃdio e ninguém vai ajudá-la. Ela sabe disso, mas ela também sabe aproveitar um momento quando o vê. E é quando Victor chega que Sarai vê uma brecha de escapar de seu cativeiro e está disposta a pagar qualquer que seja o preço. É claro que Victor não é como qualquer homem que Sarai já conheceu. E mesmo que seja ela que se encontra com uma arma na mão, não é ela que tem todo o controle da situação. Não com esse homem que não demonstra nenhum tipo de emoção.
"Eu não vou matar Sarai e farei tudo o que puder para evitar que qualquer um na mansão o faça, mas bem no fundo sei que o que meu irmão disse é verdade. Eu deveria matá-la, pelo meu bem e pelo dela. Mas não consigo. E não vou." (pág. 205)
Victor é um cruel assassino de aluguel que não tem preocupação nenhuma em matar alguém a sangue frio. E, embora ele decida manter Sarai com ele em um primeiro momento, ninguém vai estragar seus planos. Ele é misterioso, não dá para ter nenhuma pista de qual será o seu comportamento no próximo minuto e é claramente perigoso. Victor não tem espaço em sua agenda para qualquer tipo de relacionamento, mas isso não quer dizer que não vá usar Sarai para atingir seus objetivos.
"(...) e, embora muitas vezes a resposta óbvia não seja a correta, desta vez deve ser. Porque é a única que faz sentido." (pág. 138)
O mais interessante em A Morte de Sarai é que não temos personagens com um lado só. Tanto Victor quanto Sarai foram moldados pelos acontecimentos mas eles não são planos, eles não tem somente um lado. Sarai teve que fingir ser quem não era para sobreviver mas não perdeu a coragem, não perdeu o desejo de ter uma vida mais próxima do normal. Victor é frio, calculista, dominante e controlador que foi treinado desde jovem para ser um assassino sem consciência, mas seu caráter é muito mais profundo que isso.
"Existem muitas pessoas assim, Sarai. Prontas para morrer, mas com medo de se matar." (pág. 228)
O livro tem um romance nada convencional e que não surge do nada. O relacionamento é construÃdo aos poucos e não vi como o foco principal do livro. Tem tanta coisa acontecendo, tanta ação, morte, traição e fugas, mas mesmo assim ainda dá tempo para torcer pelo casal – e eu amei isso. A narração por dois pontos de vista deixou a história mais completa e tudo me pareceu muito bem amarrado. E o final? Nossa... Eu terminei o livro querendo mais e mais.










