Sinopse
Uma carta perturbadora chega via correio com uma simples declaração ao final: "Veja como conheço seus segredos - apenas pense em um número." Errará quem pensar que uma carta dessas chega a seu destino final apenas por obra do acaso. Para o detetive aposentado da polícia de homicídios da cidade de Nova York, Dave Gurney, que está formando uma nova vida ao lado de sua esposa Madeleine, as cartas começam a deixar de ser estranhas para se tornarem um complicado quebra-cabeça que levará a uma enorme investigação sobre assassinatos em série. Trazido para o caso como consultor, Gurney em pouco tempo percebe pistas que a polícia local deixou passar. Ainda assim, diante de um oponente que parece ter o dom da clarividência, Gurney vê seus esforços irem em vão, seu casamento rumando a um precipício e, finalmente, um medo incontrolável de que seu adversário não pode ser parado.
Desde o lançamento de Eu sei o que você está pensando eu fiquei curiosa e querendo ler. Sou o tipo de pessoa que não gosta muito de mágica pelo fato de não saber como as coisas são feitas e poder descobrir como seria possível alguém saber em que número aleatório você pensaria me fez querer muito mais o livro.
O que você faria se recebesse uma carta, escrita a mão dizendo que te conhece tão bem que é capaz de adivinhar o número que você está pensando? Para provar, a carta pede que o você pense em um número aleatório, de 1 a 1000 e depois abra o pequeno envelope que a acompanha. Isso acontece com Mark Mellery que pensa no número 658 e este é o mesmo número que está na segunda mensagem.
Apavorado e sem querer recorrer a polícia porque acredita que isso prejudicará seus negócios – Mark é um guru da autoajuda – ele procura Dave Gurney, um antigo colega da faculdade. Mesmo que eles não se falam a 25 anos, Mark sabe que Gurney foi detetive e acredita que ele possa ajudar.
“Apesar dos sentimentos contraditórios que experimentou desde o início, Gurney concordou. Sua curiosidade sempre superava sua reticência. Nesse caso estava curioso com a leve sugestão de histeria que espreitava por baixo da voz melíflua de Mellery. E, claro, um quebra-cabeça a ser decifrado o atraia mais do que ele gostaria de admitir.” (pág. 18)
Gurney é um detetive de 47 anos, que se aposentou a pouco tempo e se mudou para uma fazenda no interior com sua esposa Madeleine. A relação dos dois parece estar por um fio porque Dave, apesar de aposentado não consegue largar seu vício de detetive – ele parou de observar pássaros quando percebeu que os analisava como analisava os assassinos.
“- Você ainda não vê, não é?
- O que?
- Que seu cérebro está tão tomado por crime, tumulto, sangue, monstros, mentirosos e psicopatas que simplesmente não sobra espaço para mais nada.”
(pág. 122)
E é claro que as cartas o deixaram mais do que curioso e mesmo que ele diga que está pensando, Madeleine sabe que assim que ele leu o bilhete seu lado detetive estava sobre o controle. Ela não gosta e deixa isso bem claro. Madeleine aparece pouco e fica claro que ela não gosta desse lado do seu marido. Não de ele ser detetive, mas de ele não ser mais nada além disso. Senti falta de ver mais dela no foco principal, quer dizer a história é narrada por Gurney e vemos o que ele vê dela. Senti falta de um ou dois capítulos talvez com ela narrado, para ver seu lado de querer tanto que ele se afaste desse mundo.
Mas como o livro é ficção policial faz sentido não ter o ponto de vista de Madeleine, mas isso não quer dizer que ela não colabora com a investigação. Com seu jeito de ver as coisas é ela que faz algumas pontuações que colocam Gurney no caminho. Como ele mesmo diz, ela é muito mais inteligente do que ele.
“(…) ele se importava mais com o desafio da investigação do que com a equação moral, mais com o jogo do que com as pessoas.” (pág. 332)
Dividido em 3 partes, o livro começa fraco e arrastado. Embora tenha algumas coisas que prendem, a narrativa é lenta e cansativa. Mas tudo melhora quando o ‘primeiro’ assassinato acontece. É aí que as coisas começam a ficar mais interessantes e mesmo que tenha divagações de Gurney um pouco fora de hora, elas são poucas na segunda e terceira parte, fazendo com que a leitura flua.
Eu li pouca coisa do gênero até agora, mas sou apaixonada por Criminal Minds e CSI (todos os 3) então algumas coisas foram se encaixando junto com a narrativa. Para os fãs do gênero algumas coisas ficaram óbvias e manjadas, mas o assassino não é uma delas. A trama está escrita de tal jeito que não dá para arriscar um palpite logo de cara e eu aposto que vai pegar muita gente de surpresa.
Infelizmente o lance do número 658, embora interessante não foi nada “mágico” ou emocionante como eu esperava e acho que isso acabou sendo irônico demais, ao menos para mim. Afinal, o fato que mais me deixou curiosa em ler o livro foi ‘meio morno’ demais, porém todo o resto da investigação compensou e fez com que eu adorasse o livro. O final deixou no ar um gancho na vida de Gurney que espero ver em Feche bem os Olhos, segundo livro da série que será minha próxima leitura, com certeza!!!










