O Condado de Citrus – John Brandon
03/10/2014
O amor deveria ser difÃcil, mas não assim. Garotos como Toby deveriam criar confusão, mas não tanta. A lua deveria brilhar gentilmente sobre as crianças a salvo em suas camas. Tios em suas cadeiras de balanço deveriam ser gentis. Os professores deveriam orientar e inspirar. O ar não deveria cheirar a pântano. As estrelas deveriam cintilar. Shelby deveria ser sua própria heroÃna, a primeira do condado de Citrus. Deveria salvar a irmã do subterrâneo, salvar Toby de sua vida. O destino dela deveria ser grande.
Acima está a contra-capa do livro. Eu não sabia muito mais do livro antes de começar a ler, por isso resolvi colocar ela por aqui. Aqui tem ‘uma sinopse’ bacana do livro, que era o que eu também tinha lido antes de iniciar a leitura de O Condado de Citrus :)
Não tem como falar do livro... Eu não faço a menor ideia do que dizer, do que contar, do que escrever para que vocês tenham ao menos uma ideia do que foi para mim a leitura desse livro.
“(...) havia natureza porque não havia praias, parque temáticos, hotéis ou dinheiro. Havia caipiras, manatis e sumidouros. Havia insetos, não grilos simpáticos, mas criaturas com ferrões, garra e desprezo no coração. Havia cheiro de mato, com plantas florescendo escandalosamente ou apodrecendo por todo lado.” (pág. 16)
Toby é um tÃpico badboy que acumula detenções e que sabe que tem um chamado do mal em seu interior. Shelby é a garota certinha que depois de um acontecimento começa a fazer coisas não tão certinhas assim. O Sr. Hibma é um professor que não é exatamente um professor comum. Mas a história não é só isso, não é nem de perto o que eu imaginaria que fosse.
“– Nunca sabemos o que vai nos fazer entrar em parafuso – disse ele. – Acreditamos que devem ser grandes tragédias, mas nem sempre esse é o caso.” (pág. 78)
O Condado de Citrus é um livro sobre dois jovens tentando se encontrar, sobre um adulto que desistiu de procurar a muito tempo, sobre como os personagens vão levando sua vida e tomando atitudes que afetam uns aos outros – seja de maneira delicada ou criminalmente. Não é uma história com um único grande acontecimento e como isso afeta a todos. É uma história sobre pequenos acontecimentos, pequenos momentos, pequenas observações que vão aos poucos construindo a história de cada personagem.
“A vida era cheia de dois pesos e duas medidas, ele disse à s garotas. Elas deveriam se acostumar com isso.” (pág. 159)
Estranho e um pouco confuso, livro entrou em minha lista de leituras por um motivo e acabou sendo completamente diferente de tudo o que eu imaginava. Foi um daqueles livros que talvez eu não leria se soubesse um pouco mais sobre ele, mas que não me arrependo de ter em minha lista de lidos. É difÃcil descrever, mas a história tem um toque triste, um toque depressivo, um toque inquietante e mesmo assim me fez ir adiante na leitura.
“– As pessoas não mudam. Elas tentam, mas não conseguem. Digo isso por experiência própria.” (pág. 172)
John Brandon escreve de um jeito que não tem como não querer saber aonde tudo irá parar, que não tem como não pensar no vazio que temos dentro de nós mesmos e em como muitas vezes nos sentimos cansados demais para fazer algo diferente e só vamos deixando a vida passar. É um livro que com toda certeza ou você vai gostar ou vai detestar.










