O que Restou de Mim – Kat Zhang
22/12/2014
Addie e Eva são híbridas duas almas no mesmo corpo. Em sua realidade, todos nascem assim mas, ainda na infância, uma das almas torna-se dominante. Mas isso nunca acontecia com as duas. Considerados instáveis e perigosos, os híbridos foram perseguidos e eliminados das Américas. E quando o segredo delas é ameaçado, Eva e Addie descobrirão da pior forma que há muito mais sobre os híbridos do que os noticiários de TV e os livros de história contam.
Eu já disse que não sou a maior das fãs de distopia não é? E também não sou a maior fã de ficção científica também. Acontece que por algum motivo O que restou de mim entrou na minha lista de desejados... E eu fiquei mais do que contente em ter dado uma chance para a história de Kat Zhang.
Tudo acontece em um mundo onde todos nascem com duas almas, uma é a dominante e a outra é a recessiva. Lá pelos 5/6 anos a alma que for a recessiva se vai. Só que isso não aconteceu com Addie e Eva. Aos 12, depois de vários exames, terapeutas e psicólogos, elas passam a se chamar de definidas – Addie está sozinha agora. Pelo menos é o que ela alega, já que Eva não a deixou realmente. Acontece que se ela não fizer isso, todos saberão que ela é uma híbrida. E os híbridos eram os culpados por tudo, então eram caçados, perseguidos e destruídos.
Depois de ser o assunto da vizinhança por ter se definido muito tarde, seus pais se mudam e na nova escola, Addie acaba conhecendo Hally. Hally divide o mesmo segredo, também não se definiu e divide o corpo com Lissa. É a curiosidade de saber como voltar a se movimentar, a falar novamente que faz com que Eva convença Addie a continuar se encontrando com Hally/Lissa e seu irmão Devon/Ryan.
O que restou de mim é narrado do ponto de vista de Eva, que era para ser a alma recessiva já que perdeu o controle dos movimentos e tal. Porém ela é muito mais forte do que parece. Ela meio que é a dominante, a que convence Addie a fazer as coisas – mesmo que em boa parte do livro ela seja apenas uma voz dentro da cabeça de Addie.
Não... Eu não sou fã de distopias e duas almas em um mesmo corpo? Isso fez eu me perguntar o que tinha visto na sinopse para ele parar na minha lista de leituras. Tanto que no começo eu demorei um pouco para engatar o ritmo da leitura. Acontece que a história vai passando e eu comecei a torcer por Eva, queria ver ela se movendo também... Kat Zhang pode ter colocado algumas coisas previsíveis na narrativa, mesmo assim ela escreve de um jeito que prende e faz com que você queira saber mais e mais e mais.
Addie e Eva são duas personagens completamente diferentes e conseguimos perceber isso. Hally e Lissa também são diferentes apesar do mesmo corpo. E Devon e Ryan também. Eles dividem o mesmo corpo e se esforçam para aparentar ser somente uma pessoa para todos ao seu redor. E esse é o ponto alto da trama. Chega um momento em que você começa a perceber junto com Eva quem está no controle de que corpo. Ela sabe exatamente sempre que é Ryan, sempre que é Devon... E isso foi incrível!!! Foi o que realmente me encantou no livro.
Outro ponto que me encantou e funcionou muito bem para mim em O que restou de mim é que não sabemos muito do mundo exterior. Não sabemos como exatamente os híbridos são tratados e o que realmente acontece com eles. Sabemos o que Addie e Eva sabem e o que elas sabem é o que o governo divulga. E o leitor fica no escuro e isso não foi ruim. Pois vamos descobrindo as coisas junto com Eva/Addie e mesmo o livro tendo um final, muita coisa ficou para o próximo livro.
Muitas perguntas ficam em aberto... O por que dos híbridos serem tratados assim? Como realmente os híbridos vivem e o que realmente é culpa do hibridismo ou não? E, algumas outras que prefiro não colocar aqui na resenha. Sim.... o livro tem essas e outras questões ficaram martelando na minha cabeça ao final da leitura, mas isso não quer dizer que a história termina aberta. Kat Zhang deu um final para o livro mas também me deixou a certeza de que quero o segundo livro... E quero agora!!!!










