Perdidos por AĆ – Adi Alsaid
25/11/2015
Quatro jovens ao redor do paĆs tĆŖm apenas uma coisa em comum: uma garota chamada Leila. Ela entra na vida de cada um com seu carro absurdamente vermelho no momento em que eles mais precisam de alguĆ©m.
Entre eles estĆ” Hudson, mecĆ¢nico em uma cidadezinha, que estĆ” disposto a jogar fora seus sonhos de amor verdadeiro. E Bree, uma garota que fugiu de casa e curte todas as terƧas-feiras — alĆ©m de algumas transgressƵes ao longo do caminho. Elliot acredita em finais felizes... atĆ© sua vida sair totalmente do script. Enquanto isso, Sonia pensa que, quando perdeu o namorado, tambĆ©m perdeu a capacidade de amar.
Hudson, Bree, Elliot e Sonia encontram uma amiga em Leila. E, quando ela vai embora, a vida de cada um deles estĆ” transformada para sempre. Mas Ć© durante sua própria jornada de quase sete mil quilĆ“metros atravĆ©s do paĆs que Leila descobre a verdade mais importante: Ć s vezes, aquilo de que vocĆŖ mais precisa estĆ” exatamente no ponto onde comeƧou. E talvez a Ćŗnica maneira de encontrar o que vocĆŖ estĆ” procurando seja se perder ao longo do caminho.
“Alguma vez vocĆŖ jĆ” achou que era mais fĆ”cil falar do que fazer? Essa coisa de curtir o dia, um dia de cada vez. Carpe diem Ć© uma filosofia bem conhecida, mas, se fosse fĆ”cil pĆ“r em prĆ”tica, nĆ£o terĆamos de passar o tempo todo lembrando uns aos outros.” (pĆ”g. 74)
Perdidos por Aà entrou na minha lista por causa da capa. Sim, foi um daqueles livros em que eu vi a capa, me apaixonei e nem quis ler a sinopse. Após terminar a leitura, fico feliz em dizer que não errei ao escolher pela capa.
O livro conta a história de Leila, que resolve pegar seu carro vermelho e partir em busca da aurora boreal. Ela estĆ” indo para o Alasca, mas sabe aquela coisa de que o melhor de uma viagem nĆ£o Ć© o destino final e sim o caminho? Ć mais ou menos o que acontece com Leila – e junto com ela, o leitor embarca em uma viagem de carro onde tudo parece possĆvel e merece um final feliz.
“– As pessoas se machucam – disse Leila, sem mudar o tom de voz. – Acontece com todo mundo. De propósito ou nĆ£o, com arrependimento ou nĆ£o. Ć parte do que fazemos Ć s pessoas. A beleza estĆ” na nossa capacidade de superar e perdoar.” (pĆ”g. 110)
Uma das coisas que eu mais gostei no livro Ć© que a personagem principal Ć© Leila, mas nĆ£o Ć© ela que narra a maior parte do livro. Ele Ć© dividido em cinco partes, cada uma pelo ponto de vista de um dos estranhos que Leila conhece pelo caminho e somente na Ćŗltima ela se torna a narradora. Alsaid apresenta quatro pequenas histórias conectadas entre si por causa de Leila, que conhece cada um desses estranhos em um determinado momento no caminho. Eu achei incrĆvel a forma como ela afeta a vida deles e como tambĆ©m Ć© afetada por eles.
A diagramação do livro estĆ” perfeita. Cada parte tem sua divisĆ£o, informando quem Ć© o narrador. E entre as partes, ainda temos cartƵes postais com mensagens da Leila que vĆ£o complementando a história. Eu fico completamente apaixonada quando um livro tem fontes e formataƧƵes diferentes para algumas coisas – como mensagens de texto, bilhetes ou, como nesse caso cartƵes postais. Fica lindo, dando um toque a mais em algo que jĆ” estava tĆ£o legal.
“– Mas que droga, cĆ©u – Elliot falou. – NĆ£o Ć© uma boa hora para parecer tĆ£o pitoresco. Estou tentando argumentar que a vida Ć© uma porcaria.” (pĆ”g. 179)
Adi Alsaid criou uma história gostosa de ler, com uma narrativa que flui facilmente mas que pode nĆ£o agradar aos mais exigentes. Vamos ser um pouco realistas aqui... Leila Ć© uma adolescente viajando sozinha, que encontra estranhos (tudo bem que tambĆ©m sĆ£o adolescentes) e nĆ£o se preocupa se pode acontecer alguma coisa perigosa ou nĆ£o. AtĆ© por que todos os adolescentes tem bom coração e ninguĆ©m acha estranho uma menina de 17 anos viajar totalmente sozinha entĆ£o nenhum ‘adulto’ pergunta quem ela realmente Ć©, nĆ©? Mas, vamos lembrar que Ć© ficção e que na ficção tudo Ć© possĆvel. E mais, tem horas em que eu nĆ£o quero ficar pensando se isso ou aquilo Ć© realista ou nĆ£o.
EntĆ£o, se vocĆŖ quer um livro para passar o tempo, Perdidos por AĆ Ć© uma ótima dica. Ele Ć© divertido, leve e nĆ£o tem muito drama – eu diria praticamente nada jĆ” que tem uma previsibilidade de que tudo vai se resolver. Sim, tem seus momentos clichĆŖs (mas eu adoro um clichĆŖ!) e sim, Ć© um tanto irrealista em alguns momentos. Mas ei, quem disse que a gente precisa ser realista o tempo inteiro? Eu gostei de dar uma volta com a Leila, e talvez vocĆŖ tambĆ©m curta embarcar nessa viagem.