A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisÃvel, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente. A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrÃvel que o faz acordar em desespero todas as noites, à s 00h07 ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido.
O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa. O monstro quer a verdade.
Baseado na ideia de Siobhan Dowd, Sete minutos depois da meia-noite é um livro em que fantasia e realidade se misturam. Ele nos fala dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para ultrapassá-los.
"O monstro apareceu logo depois da meia-noite. Como eles sempre fazem." (pág. 09)
Sete minutos depois da meia-noite começa com uma nota de Patrick Ness contando como admira o tabalho de Siobhan Dowd e em como se sentiu ao ser convidado para transformar em livro a ideia que estava apenas rascunhada por Siobhan. Ao terminar de ler a nota, eu estava mais do que curiosa para ler o livro, então mergulhei de cabeça na história de Ness.
"Às vezes as pessoas precisam mentir para si mesmas acima de tudo." (pág. 52)
Connor tem 13 anos e sua vida não está em um momento fácil. Ele tem um pesadelo recorrente, onde um monstro sempre aparece. Então, quando de repente em sua janela aparece um monstro, Connor não está com medo. Não desse. Esse ele considera apenas mais um monstro, esse não é o mostro verdadeiro, esse não lhe amedronta.
Em um primeiro momento, Connor acredita que a visão do mostro não passa de mais um sonho. Só que na manhã seguinte quando acorda, seu quarto está cheio de pequenas folhas, que o fazem duvidar se foi ou não sonho. Acontece que Connor não pode se preocupar muito com isso, afinal, sua mãe está doente, todos na escola agem como se ele fosse invisÃvel e a única exceção é Harry - um valentão que junto com mais dois outros garotos atormentam ainda mais a vida de Connor. E como se tudo isso não bastasse, sua vó, que não se dá bem com ele está vindo passar um tempo na casa com ele e sua mãe.
"Muitas coisas que são verdadeiras parecem enganação. Reinos têm os prÃncipes que merecem, filhas de fazendeiros morrem sem motivo e, à s vezes, vale a pena salvar bruxas. Na verdade, geralmente é assim. Você ficaria surpreso." (pág. 54)
O monstro apareceu dizendo que Connor o chamou. Ele irá lhe contar três histórias e quando terminar, Connor terá que conta uma também. Mas essa história tem que ser verdadeira, pois é a verdade que realmente importa. O garoto não quer contar histórias, não quer falar algumas coisas pois se ele falar, elas irão acontecer - e muitas dela não podem acontecer... E mais, ele tem certeza de que ele não chamou o monstro, de que ele não precisa de mais ninguém.
Connor não é um dos personagens mais queridos que eu encontrei em um livro. Mas, não tem como não entender suas atitudes e não ficar solidária com o garoto. Sua mãe está passando por tratamentos sérios e todos o olham com uma pena no olhar. Já pensou você fazer algo e ser desculpado apenas por 'estar passando por um momento difÃcil'? Junto com isso, seu relacionamento com a avó não é dos melhores, já que os dois não se entendem muito bem. E nesse ponto vemos como a falta de comunicação complica ainda mais as coisas.
"Histórias são importantes - disse o monstro. - Elas podem ser mais importantes do que tudo. Se forem sinceras." (pág. 107)
O monstro chega em um momento decisivo na vida de Connor e suas histórias parecem sem sentido, mas todas tem algo para fazer Connor pensar e também aprender. Se você tivesse 13 anos e sua mãe estivesse muito doente, sua avó não se comunica muito bem com você e seu pai age como se todo o mais importante fosse sua nova famÃlia, como você se sentiria? A vontade de ser invisÃvel é clara, mas será que é isso mesmo que ele quer? Será que ser invisÃvel é tão bom assim como parece? Será que o monstro pode realmente ajudar a resolver todos os problemas?
Sete minutos depois da meia-noite é um livro curto e rápido de ler. Com uma narrativa envolvente que faz com que a leitura flua fácil. Ness misturou drama com fantasia de uma forma tão encantadora e que me deixou super curiosa para conferir o filme - que chegou nesse mês aos cinemas. Foram vários os momentos em que eu imaginei como aquela parte poderia ficar bonita nas telonas. Mas não pensem que o livro é só uma história bonita, ele fala sobre verdade, sobre perdão, sobre aqueles momentos em que precisamos ter coragem para sobreviver. É uma história comovente, que mostra a importância da verdade, a importância de uma história e a importância de lembar que a gente pode ter raiva, que a gente pode odiar uma situação ou algumas coisas e que isso não quer dizer que a gente odeia as pessoas, que ter um ou outro sentimento não nos torna aquele sentimento.
Sei que adaptações nunca são perfeitas, e sei que não tem como coloca tudo o que está no livro no filme, mas como disse, fiquei com muita vontade de assistir. E espero curtir tanto o filme quanto curti a leitura.




















