Dezesseis Luas - Resenha

12/04/2011

SINOPSE
Quando Lena chegou a Gatlin, eu só tinha certeza de uma coisa: ela não se parecia com ninguém que o pessoal daqui já vira. E as diferenças não estavam apenas na aparência.
Eu tinha certeza que já havíamos nos encontrado antes, talvez nos sonhos. É, sei que parece idiota, mas eu vinha sonhando com alguém há tempos, alguém que eu não conhecia, alguém que, no sonho, precisava ser salva, ou tipo isso.
Antes de Lena eu estava contando os meses para deixar Gatlin, mas agora era diferente: havia Lena. E havia algo entre nós, uma atração que eu não conseguia explicar. Eu precisava conhecê-la melhor e entender o que eu estava sentindo. Mas, para me aproximar, teria que enfrentar o tio com fama de louco dela; Amma, nossa governanta supersticiosa, que tinha praticamente me criado; meu pai, que desde a morte de minha mãe só ficava trancado no escritório “trabalhando”; meus amigos e inimigos, as garotas populares da escola...
E ainda havia o segredo, um tipo de segredo que não ficaria oculto por muito tempo em um lugar como Gatlin, um tipo de segredo que pode mudar tudo a sua volta...



Minhas Opiniões

“Talvez Amma estivesse certa.
Talvez eu tenha feito um buraco no céu e o universo estivesse prestes a cair sobre mim.”
(Ethan, p. 109)





Apaixonante é a palavra que define este romance, regado a mistério e emoção do começo ao fim.
O cenário é uma pequena cidade de Carolina do Sul, Gatlin. Nada de novo acontece na cidadezinha. Não há surpresas. Nada muda. Seus habitantes vivem inseridos numa cultura de preservação das glórias do passado. Gatlin, há mais de 150 anos, foi palco da Guerra Civil travada entre Estados, tendo como um das principais batalhas, a de Honey Hill. Seus moradores, tradicionalistas, são na sua maioria pessoas preconceituosas e muitas vezes intolerantes com os que vêm de fora e com os que não se enquadram no padrão social. Rótulos são atribuídos a essas pessoas. Qualquer coisa é motivo de falatório.
Consciente do comportamento das pessoas que moram nessa cidade, Ethan, um garoto de 16 anos, sonha em deixar o local e conhecer o mundo assim que termine o ensino médio. Sua mãe faleceu em um acidente há poucos meses e seu pai, desde então, vive enclausurado dentro do seu escritório. O garoto interage com Amma, a governanta. Ela cuida e ama o garoto, mas parece sempre falar em códigos. Quem está sempre ao seu lado é Link, seu melhor amigo desde o jardim de infância. Os dois estudam na Jackson High, que segue o estereótipo de escola americana que tem um time de basquetebol, líderes de torcida e o famoso baile anual. Tudo está na mais perfeita harmonia até a chegada de Lena, uma menina de 15 anos que veio morar na mansão mal-assombrada com o recluso da cidade - seu tio - o velho Ravenwood. A menina conjuradora vive atormentada com o dilema que envolve o dia mais importante de sua vida: seu aniversário de 16 anos. Que é quando ela descobrirá se é da Luz ou das Trevas. A garota vira o assunto da cidade. Se não fosse pelo seu comportamento estranho e por vestir roupas esquisitas, o simples fato dela ser de fora e vir morar com o louco do Condado já seria motivo para discriminação. Ethan não compartilha da opinião de seus colegas, pelo contrário, ele tenta se aproximar de Lena. A garota parece não pertencer a Gatlin. E o diferente o fascina. Após uma experiência na escola que remete a um sonho recorrente e quase real que Ethan vem tendo - onde tenta salvar a vida de uma garota - ele encontra a menina em meio a um temporal em uma autopista. Nesse momento fica claro que existe uma conexão entre eles e que suas vidas já estavam entrelaçadas. Mais adiante, há uma bifurcação na estrada. Seguindo à esquerda está a casa de Ethan e a saída da cidade. À direita está a fazenda Ravenwood. Na minha opinião a bifurcação simboliza o ponto onde as escolhas começam. A partir daí mergulhamos numa história envolvente onde o real e o imaginário, o passado e o presente, o material e o espiritual, a luz e as trevas, se misturam.
A narrativa é em primeira pessoa, contada por Ethan. Fato que chamou minha atenção e aguçou minha curiosidade para saber como as autoras explorariam os sentimentos ao serem narrados por um menino. Adorei. No texto, umas poucas páginas trazem a visão de Lena, também em primeira pessoa. Há, ainda, flashbacks de uma história que aconteceu no passado, muito bem inseridas no contexto da história.
A narrativa traz personagens muito bem definidos e marcantes. E antes de falar de alguns deles, peço licença para admitir que li este romance com duas visões diferentes: eu no ensino médio e eu no presente. Então, ora tenho a visão de uma adolescente, ora tenho a visão de uma mulher que sentiu seu instinto maternal se aflorar.
Ethan é um garoto apaixonante. Ele é educado, coerente e protetor. Exatamente o tipo de namorado que Lena precisa ao seu lado. E que toda garota gostaria de ter. Mas existe outro lado, o Ethan que sofre pela falta da mãe que morreu e do pai que está “trancado” em seu próprio pesar. Poucas vezes ele demonstra sua fragilidade. Parece-me que Amma, apesar de amar o menino, não conversa com ele, mesmo porque nunca é direta nas suas falas. Ei! Não existe nenhum adulto maduro que possa confortar, dar apoio e conversar com esse menino? Muitas vezes fiquei triste junto com ele. Em outras, por ele. O luto parece estar sempre presente. A única a dar algum acalento a Ethan é Marian, amiga de sua mãe. Assim mesmo porque o garoto foi até ela.
Lena é uma personagem dúbia. Uma garota forte, com grandes poderes, mas ao mesmo tempo frágil por não conseguir ser apenas uma garota normal, por não poder ter uma vida normal como todas as garotas da cidade e, ainda, por não poder ser dona do seu próprio destino. Lena não foi criada pelos seus pais. Agora que está aterrorizada pela chegada do seu 16º aniversário, ela pelo menos conta com o apoio do seu tio Macon que a protege e a defende, mesmo que nem sempre lhe diga a verdade. Mais uma vez sinto a falta de uma figura feminina para dar colo para essa menina também. Como não poderia ser diferente, o destino trouxe Ethan para sua vida. Ele pode dar o apoio e a força que ela precisa. No seu tormento pela proximidade da data da sua invocação, achei que Lena acaba sendo chata com o seu drama. Além de não se abrir com o namorado, sempre se esquiva para não envolvê-lo numa história em que ele já está envolvido.
Amma e Macon são personagens extraordinários e fortes na trama. Ela, uma vidente supersticiosa que protege o “seu” menino com unhas e dentes. Mas não dá colo! Ammaaaaa... onde está sua sensibilidade nessas horas? Ele, um ser misterioso, intempestivo, sarcástico e inteligente que defende sua sobrinha a qualquer preço.
Link é adorável e divertido. Sempre que pode está ao lado do seu melhor amigo e não concorda com as ações contra Lena.
Uma personagem que amei é a prima Ridley, a mais nova Conjuradora das Trevas. Espero que ela apareça nos próximos livros. Será que há algo de Luz no meio da escuridão que é Ridley?
E a última personagem de que quero falar é a Mansão Ravenwood. Ah, a mansão não é uma personagem? Pois parece. Eu quase consigo vê-la respirando por conta própria. A casa se veste internamente de acordo com o humor e com o querer de seus moradores. Um espetáculo à parte. A Cozinha é o sonho de toda mulher. Onde eu consigo uma dessas???
Agora, e quanto a narrativa como um todo?
Bem, há um elemento que chamou minha atenção e que se fez presente durante todo o romance: a morte. Não somente a morte física em si, mas todas as nuances que a acompanham: perda, sofrimento, luto, saudade, lembranças. Abordada de uma maneira leve e madura, nos faz refletir sobre o assunto. Como seguir adiante com a perda das pessoas que amamos?
Também várias vezes assuntos polêmicos vêm à tona. O preconceito, a intolerância e o bullying são trabalhados na obra.
Gostaria de destacar que a riqueza de detalhes, para mim, foi um ponto positivo até quase o final da trama. Mas de repente comecei a sentir um excesso de informações desnecessário. Historinhas que não levavam a lugar algum. E no momento crucial, na parte mais importante da história, senti a falta de um detalhamento dos fatos e dos sentimentos de Ethan como havia ocorrido até então. Uma pena.
Outra coisa que me incomodou durante a leitura é a quantidade de falhas na impressão de acentos e pontos – pelo menos no meu exemplar. Pequenos erros de revisão também podem ser detectados. Claro que nada que comprometa o entendimento ou tire a beleza da obra.
Enfim, Dezesseis Luas é uma trama criativa e envolvente, que nos presenteia com um universo fascinante de magia e poderes. Depois de conferir, tenho certeza de que você, assim como eu, também ficará ansioso(a) aguardando a continuação da série Beautiful Creatures. Que venham mais Luz e Trevas.



“Décima-Sexta Lua, Décimo-Sexto Ano,
Agora chegou o dia que você teme,
Invoque ou seja Invocada,
Derrame sangue, derrame lágrima,
Lua ou Sol – destrua, venere”
(p. 410)








Por Simone Verchai

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9 comentários

  1. Mamamia!!! Si começou a resenharcom tudo!! Adorei!!! Resenha de fácil leitura e que desperta a vontade do leitor em ler o livro!! E acho a capa desse livro linda, linda...

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  2. Affffffff... peraí... posso ler de novo??
    Nossa... que maravilha de resenha!! Amei!!
    Agora tô mais curiosa ainda pra ler o livro!! rs
    Escrita envolvente Simone!!
    Agora com vc e Lica que já escrevia maravilhosamente... quero resenha toda semana!! Pooooooooooor favooooooooooooorr!!!!
    Amei!!
    Bjs

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  3. Ah!!! Estou lendo o livro!

    Então não vou ler a resenha! Mas assim que eu terminar o livro, volto aqui, leio a resenha e digo o que achei! Mas pelo que a Laganowski e a Math disseram sua resenha parece ser boa mesmo hein Si!

    Beijos!!!

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  4. UAU ... acho que perdi o rumo de escrevr resenhas depois dessa ... Simone pq vc ficou tanto tempo perdida por ai? rs


    Escreve muito bem ... quero ser igual a vc quando crescer pode?

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  5. Arrasou amiga! Deu vontade de ler o livro! Parabéns!

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  6. Ahhh Meu Deus que linda resenha!!!!!! .... estou lendo o livro e sofrendo de amor por Ethan e com Ethan ...rsrsrsrs
    bjks ....Um grande prazer em conhecer.....

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  7. Oi,

    Esse é um dos livro que com certeza está encabeçando minha lista. *---*

    Tenho lido resenhas incriveis e entusiasmadas sobre ele, alem de que a capa e linda e o romance sobrenatural parece sair do rumo clichê.

    Quero ler ainda mais agora ^^

    Ótima resenha...:)

    ~> Beijusss...;*

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  8. ainda nao li este livro, mas gostei ou melhor amei a resenha e a sinopse, a capa é linda!
    MEU DEUS! eu vou morrr se nao ler ele kkk ♥

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  9. Agora sim! Terminei de ler o livro já faz alguns dias, e como prometido, voltei para ler a resenha! E que resenha hein Si!?!

    A história é lindaa! Eu AMEI o livro! Também encontrei alguns erros, mas nada que comprometa a trama!

    Estou suuuuuuper apaixonada pelo Ethan, onde encontro um desse, será que ele ainda está em Gatlin??? Mas pensando bem, é melhor não procurar não, apesar de também ter me apaixonado por Lena acho que é melhor não irritá-la. ; D

    Link e Ridley juntos abalaram meu coração, tenho certeza que mesmo se Ridley não fosse uma Sirena Link teria se apaixonado por ela. Em alguns momentos da história tive pena de Ridley, ela não teve escolha, não pediu para ser assim. Mas duvido que no fundo, mesmo que seja bem no fundo ela não tenha um pouco de luz. Nos próximos livros, se Ridley aparecer e conseguir "controlar as trevas que a controlam" gostaria que ela ficasse com Link, eles formam um casal beeem divertido!!!

    E falando em Link, que mãezinha %$#%#%&$#&% que ele tem hein!

    Um dos livros mais envolventes que já li, não consegui largar! AMEI AMEI AMEI!!! E como você disse "Que venham mais Luz e Trevas!"!!!

    ------"os dias sem você sangram até que o tempo não é nada mais do que um obstáculo que temos que superar"------ Parte de uma das cartas de Ethan e Genevieve. (pág. 220)

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