O Inquisidor – Mark Allen Smith

05/03/2015

o inquisidor 3A verdade pode ser a pior tortura.
Geiger tem um dom: ele sabe quando alguém está mentindo. Na função que exerce, a chamada “obtenção de informações”, Geiger utiliza sua valiosa habilidade e vários métodos psicológicos que levam suas vítimas a um ponto em que o medo supera a dor. Assim que atingem esse ponto, elas não têm mais como resistir.
Uma das únicas regras seguidas pelo torturador é não trabalhar com crianças. Quando seu sócio, o ex-jornalista Harry Boddicker, lhe traz um novo cliente que exige que ele interrogue um menino de doze anos, sua resposta é “não”. Mas quando o cliente ameaça levar o menino para Dalton, um torturador sem regras, famoso por matar seus interrogados, Geiger, cujo passado é um mistério até para ele mesmo, é surpreendido por um sentimento estranho de proteção e foge com o menino na tentativa de salvar sua vida.
Enquanto Geiger e Harry investigam por que o cliente está tão desesperado para descobrir o segredo guardado pelo garoto, eles se veem caçados por um adversário cruel. E é no meio dessa caçada implacável que o passado misterioso e sinistro de Geiger vem à tona.

o inquisidor 2

Um torturador com escrúpulos?  Chega a ser irônico já que a tortura é algo totalmente sem escrúpulos, não é mesmo? Pois foi essa proposta que me fez solicitar o livro na nossa parceria com o Grupo Record. E preciso dizer... Foi muito bom sair da minha zona de conforto.

“Por conveniência e pela busca de informação, o homem sempre esteve disposto a passar por cima de suas próprias leis e trair suas crenças para legitimar a tortura daqueles que não as compartilhavam”. (pág. 29)

Como o livro não é nenhum romance, com casais fofos e apaixonantes eu demorei um pouco para pegar o ritmo da leitura. É que eu estou no automático para ler romances e pegar uma história onde a última coisa que tem é um envolvimento amoroso serviu para me deixar bem mais atenta a alguns lançamentos que tenho deixado passar. O livro é dividido em três partes e cada uma delas tem seu ponto chave. Até a metade da primeira parte a leitura estava um pouco lenta (mas nem um pouco monótona ou ruim), porém depois que me acostumei, foi que foi e fiquei imaginando mil cenários para tudo o que acontecia. o Inquisidor me fez lembrar alguns filmes e penso que sua história daria uma boa adaptação para o cinema.

“É engraçado como às vezes leva algum tempo até que você descubra que é bom em alguma coisa”. (pág. 68)

Geiger sabe identificar a mentira. Seu trabalho é conseguir a verdade e ele é muito bom no que faz por saber o que é a verdade quando a ouve. E tem algumas cenas em que mesmo você não conhecendo nada dele você acredita em sua capacidade, você acredita que não tem outra saída para o ‘Jones’ a não ser dizer o que precisa dizer... Não porque você conhece o sofrimento e sim porque você não faz a menor ideia do que ainda pode acontecer. E sabe o que é o mais interessante no Geiger? Seu método consiste em uma pratica não violenta, por assim dizer. E sim, ele tem uma fama de conseguir muito mais resultados do que seu ‘concorrente’ Dalton.

“Se você faz o que quer da vida e não engana a si próprio em relação às escolhas que faz, então não há arrependimentos, e um homem sem arrependimentos não tem medo de nada”. (pág. 56)

De modo geral, você não conhece a personagem principal no todo. Geiger não é de muita conversa,  não se explica muito e nem seu terapeuta consegue saber sobre ele ou seu passado. Já pensou você fazer terapia sem contar nada além de um sonho recorrente? Pois é... Você só vai recebendo fragmentos da personalidade de Geiger e imaginando o que o fez chegar a tal ponto e isso torna Geiger uma personagem fascinante. Além disso, o leitor recebe algumas informações do terapeuta e do sócio (Harry) mas nem eles tem certeza de quem é realmente o cara. Eles opinam sobre o que eles acham e sobre o que eles já aprenderam - e a principal coisa é que Geiger não é de dar muitas respostas.

“(...) e o que poucos compreendiam a respeito da dor era seu potencial duplo. Ela podia ser utilizada tanto pelo infligidor quanto pelo receptor, e, como sensação primal, poderia ser explorada como fonte de força. (...) Geiger também compreendia, de alguma forma, que a dor fizera dele quem era”. (pág. 85)

Ezra chega para mudar tudo. O garoto faz com que toda a vida organizada e linear de Geiger saia dos eixos e esse é um dos pontos altos do livro.  Pois é nesse momento que começamos a ser presenteados com lembranças de Geiger, com uma personagem um pouco mais falante e coisas do tipo "eu não era assim" e o “não sei” estão se tornando o novo caminho do nosso inquisidor. Ao tentar salvar o garoto, Geiger coloca toda a sua vida de cabeça para baixo. Algo aconteceu com ele e o cara frio, distante e que não deixava nada transparecer está diferente e tudo pode acontecer.

“A força verdadeira não possui nenhuma relação com os músculos. A mente dele é fraca porque ele não conhece a dor... e sentimos medo do que não conhecemos. E é o medo que nos torna fracos”. (pág. 214)

Mark Allen me tirou da zona de conforto e me fez perceber que eu não preciso de um casal fofo para gostar de um livro. O Inquisidor conta com personagens que não te dão muitos detalhes de suas personalidades, mas que mostram o suficiente para que você tenha uma ideia do que esperar. Fica claro que Geiger é perigoso, mas ele é interessante e contra todas as probabilidades consegue ganhar a sua simpatia. O enredo te leva a fazer várias perguntas e muitas delas ficam sem respostas – o que não quer dizer que não tem uma conclusão. E mais, eu adorei que não teve um momento onde eu já imaginasse o que iria acontecer e acertasse. As vezes eu pensava que a história iria para um lado e de repente era pega de surpresa. Gostei muito da forma como tudo foi tratado e como a história foi concluída, e admiro o autor por apresentar um livro completo e ao mesmo tempo com tantas possibilidades ficando em aberto, de dar um final e ao mesmo tempo te deixar esperando por mais. Fiquei encantada com seu livro de estreia e com certeza sou uma das que torce por mais livros dele.licavargas

Romântica incurável com um toque de Drama Queen. Sonhadora, teimosa e viciada em livros, afinal, se você não pode cair no mundo, viva através dos personagens! Criadora do blog Amores e Livros, ainda acredita que um dia será paga para ler! Facebook / Twitter / Instagram

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11 comentários

  1. Oii,
    Parece ser um bom livro e definitivamente não é meu tipo de leitura mas fiquei bem curiosa.
    Acho que realmente deve ser bom sair da zona de conforto.
    Beijos

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  2. Gente, estou louco por esse livro. Essa obra é a minha cara.
    Achei interessante essa atitude do inquisidor se preocupar com o menino e fiquei curioso para saber o segredo que este guarda.

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  3. Oi, cara esse livro deve ser muito bom u.u esta lá minha lista, sua resenha foi ótima.
    Abraços
    http://litaralmentelivros.blogspot.com.br/

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  4. Oi Lica!
    Já vi vááááárias resenhas desse livro e quanto mais leio sobre ele, mais sei que vou gostar! Não sou muito de romance, gosto mais de livros policiais, de suspense, drama e por ai vai e esse parece um livro perfeito para a minha próxima leitura!!
    Acho super legal sair da zona de conforto com relação aos livros... Estou tentando sair da minha, mas tá dificil ahahah
    Beijos

    http://lumartinho.blogspot.com.br/

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  5. Fiquei morrendo de vontade de ler esse livro no momento em que vi o lançamento. Só sabia da sinopse, mas já queria. Agora depois dessa resenha, não tenho mais dúvidas. E adorei os quotes também.
    Beijos!

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  6. Lica, eu não conhecia o livro.
    E apesar da sua resenha ser muito boa eu não consegui me empolgar pra ler, acho que é porque não curto muito, policial, suspense e afins.

    http://lisos-somos.blogspot.com.br/

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  7. Lica!
    Achei que a personalidade das personagens seriam mais bem desenvolvias no livro, principalmente a de Geiger, já que frequenta uma psiquiatra. E esse era um dos fatores que me deixou mais curiosa pela leitura... agora murchei um pouco, ainda assim, gostaria de saber porque andam querendo matar o pobre do menino e talvez de uma chance para leitura.
    “A mulher é um efeito deslumbrante da natureza.”
    Feliz dia da mulher!
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  8. Oi Lica!
    Tenho vistos só resenha positivas desse livro, eu me arrependo muito por ter solicitado ele. Mas como você mesma disse, estou muito acostumada com romances e dramas e preciso começar a diversificar mais minha leitura.
    B-jusssss! ♥

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  9. Fiquei curiosa em ler o livro..Realmente "Um torturador com escrúpulos"? Tem algo de estranho ai que temos que descobrir...kkkkk
    Acho que irei gostar do livro, gosto desse tipo de livro, não preciso de casais fofos, já li muito romance, tive uma época que só lia romance!

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  10. UAU!
    Fiquei super curiosa em ler o livro. Acho tão bom quando arriscamos sair da zona de conforto e somos surpreendidos positivamente...
    Vi outra resenha desse livro que também me fez querer muito ler ele. Com certeza está na lista!

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  11. Esse livro tem tudo para não entrar na minha lista de "quero ler", a capa não chama minha atenção, a sinopse não me prendeu maaaaaas sua resenha com certeza me fez repensar tudo isso, gosto da sensação de livros que começam parados e de certa maneira ruins e com o tempo vão prendendo a atenção do leitor...

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