Se você me chamar eu largo tudo... Mas por favor me chame – Albert Espinosa

16/04/2015

DSC00474Um homem revive seus dias de menino em busca de si mesmo. Uma história terna e emocionante de perdas, ganhos e aprendizados.
Dani se dedica a procurar crianças desaparecidas. No mesmo instante em que sua mulher faz as malas para ir embora de casa, ele recebe o telefonema de um pai desesperado lhe pedindo ajuda para encontrar seu filho. O caso o levará a Capri, onde virão à tona lembranças de sua infância e das duas pessoas que mais o marcaram: o afetuoso sr. Martín e o forte George. O reencontro com o passado levará Dani a profundas reflexões sobre sua vida, a história de amor com sua esposa e as coisas que realmente importam.
Se você me chamar eu largo tudo... mas por favor me chame é um livro forte e ao mesmo tempo delicado, que vai permanecer com o leitor muito depois que ele virar a última página.

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Quem me conhece sabe e quem me acompanha aqui no blog já deve ter percebido o quanto eu sou apaixonada por títulos grandes. Eu não sei explicar quando isso começou e nem sei dizer o motivo. Acontece que títulos grandes me chamam a atenção e normalmente eles já bastam para merecer um cantinho na minha estante – e também aparecer por aqui. Então, quando eu soube do lançamento de Se você me chamar eu largo tudo... mas por favor me chame, é claro que ele entrou na lista e eu não precisei de mais nada para solicitar ele para a leitura.

“E não disse nada, porque, quando você passa anos aceitando que sua vida é o que acontece com você e não o que você cria... lamentavelmente acaba se acostumando.” (pág. 14)

Não li a sinopse, não li nenhuma resenha e nem procurei por mais informações. Para mim, o título bastou e foi o suficiente para embarcar na leitura. É claro que conhecer um pouquinho do Espinosa também fez a diferença. Esse é o segundo livro que leio dele (o primeiro tem resenha aqui) e sim, mais uma vez não me arrependi de ter escolhido um livro apenas pelo título. Mais uma vez, fico feliz em poder dizer que li mais um livro do autor.

“- Antes cair que caminhar? - indaguei, curioso.
- Sim, assim perdi o medo das quedas. E, se você perde o medo das quedas, caminha melhor e pode até se atrever a correr. Tudo na vida deveria ser assim. Primeiro cair e depois caminhar.” (pág. 86)

Se você me chamar eu largo tudo... mas por favor me chame é um livro que fala, principalmente pela busca de si mesmo. Dani (o narrador) encontra-se em um grande momento de sua vida... Sua esposa acabou de deixá-lo e ele resolve aceitar um trabalho que foge as suas regras, apenas para não ficar em casa. Dani procura crianças desaparecidas e essa nova busca o leva novamente à ilha de Capri.

“É tão difícil compreender as lágrimas dos outros se você não tem todos os dados...” (pág. 110)

Conforme ele vai narrando o momento em que se encontra, ele conta também suas lembranças e entre passado e presente vemos o quanto o encontro com algumas pessoas pode mudar toda uma vida, pode mudar o nosso destino. E é nisso tudo que a história gira... Em encontros, em desconhecidos que se tornam pérolas (ou diamantes) mesmo que no momento a gente não entenda exatamente isso, em fatos que acontecem com a gente e que marcam de forma a afetar todas as nossas decisões...

“Quem dera sempre tentássemos entender as pessoas antes de julgá-las. E quem dera as pessoas fossem capazes de ser honestas e nos contar sua vida para que pudéssemos valorizá-las com compreensão.” (pág. 111)

Sinto a necessidade de dizer que o livro não é para qualquer leitor. Quer dizer, se você espera uma história com inicio, meio e fim onde tudo é linear e resolvido, você não encontrará isso aqui. Sim, o livro conta com uma linearidade – o caso da criança desaparecida é resolvido mas esse parece não ser o objetivo principal do livro. Não é um livro sobre um investigador que encontra uma criança, é um livro sobre um cara que está perdido e procura se encontrar. E a busca de si mesmo é algo verdadeiramente pessoal e de certa forma reticente, o que faz com que o livro pareça meio reticente. Uma das coisas que eu mais gostei no livro foi a quantidade de pensamentos profundos, de questões filosóficas e de momentos de reflexão. Eu adorei isso, mas pode ser que nem todo mundo que leia perceba os pontos que eu percebi ou se identifique com o estilo.

“Mas uma coisa era seu desejo, e outra, seu instinto... Custa ir contra o próprio corpo...” (pág. 144)

Com grande delicadeza, Espinosa levanta assuntos fortes e te faz refletir sobre coisas que realmente importam em nosso caminho. É incrível a poesia e as várias metáforas que se apresentam no livro, mais incrível ainda é pensar que cada leitor terá suas partes favoritas e nem todo leitor irá refletir e perceber a história do mesmo jeito. Se você me chamar eu largo tudo... ganhou meu coração por toda a sua subjetividade escondida no texto e mesmo depois de terminar a leitura, sei que muitas coisas irão seguir comigo por mais tempo. É um livro diferente, emocionante e marcante como muitas vezes só a poesia consegue ser...licavargas

Romântica incurável com um toque de Drama Queen. Sonhadora, teimosa e viciada em livros, afinal, se você não pode cair no mundo, viva através dos personagens! Criadora do blog Amores e Livros, ainda acredita que um dia será paga para ler! Facebook / Twitter / Instagram

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4 comentários

  1. Não é muito o tipo de leitura que costumo fazer, mas levando em conta o que você disse na sua resenha, parece ser uma narrativa interessante. Essa busca por si mesmo é algo que passamos a vida toda fazendo, mas apenas algumas pessoas conseguem se encontrar. Vou pesquisar mais sobre o livro.
    Beijos!

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  2. Lica, ele realmente parece ser um livro bem diferente e impactante.
    Não sabia do seu gosto por nomes de livros grandes.
    Eu achei a história bem interessante apesar de não ter muita linearidade, mas acho que não leria, não faz muito meu gênero literário.

    Lisossomos

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  3. Oi Lica!
    O nome do livro é mesmo muito legal, mas eu não sei se seria um livro que eu gostaria de ler agora. Essa coisa toda do "Se encontrar", "saber quem você é" e toda essa poesia que você fala, já passei há uns anos e hoje não tenho muita paciência para o assunto. Chata eu, neh?
    Mas, eu sei que a gente nunca pode dizer nunca para os livros, porque as vezes, você se surpreende e acaba gostando mais do que deveria, então... Vou deixar assim, se um dia o livro me encontrar, eu leio ele!
    Beijos

    LuMartinho

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  4. Amei esse livro!
    Acabei de ler e fazer resenha dele lá no blog. E concordo muito com o que vc disse.. talvez não seja para todas as pessoas.

    Grande beijo!

    http://meulivrodocelivro.blogspot.com.br/2016/08/resenha-se-voce-me-chamar-eu-largo-tudo.html

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