Lentes Mágicas #6: Ah.... o Amor!!!

08/06/2011

Enfim, chegamos ao dia da revelação do tema cinematográfico do mês de junho. Amor, é claro! 
Só que não aquela coisinha fofa, melada que todo mundo usa. Meu estilo é diferente! 
Quero falar de amor sim, mas de uma maneira especial, fora do comum, amores esquisitos. 
O filme escolhido para este post é bem conhecido.....
O gênero a que ele faz parte é um dos meus preferidos. Animação por Stop Motion!  O nome parece meio absurdo né? Mas é assim mesmo porque o movimento, nessa técnica, é criado justamente por meio de várias fotos de objetos parados! No stop motion, bonecos, que podem ser de um material como massinha de modelar, são fotografados em várias posições, dando sequência a um movimento. Para um boneco levantar um braço, por exemplo, mexe-se no braço dele um pouquinho e tira-se uma foto.(Levanta-se o braço dele mais um pouquinho e tira-se outra foto. E assim sucessivamente até o boneco estar com o braço completamente levantado). O filme que escolhi foi a 'Noiva Cadáver'!!!

Título original: (Corpse Bride)
Título no Brasil: A Noiva Cadáver
Lançamento: 2005 (EUA)
Direção: Tim Burton, Mike Johnson
Duração: 78 min
Gênero: Animação
Pais de origem: Inglaterra / EUA
Estúdio/Distrib.:  Warner Bros.


Parece estranho um filme que conta a história de uma noiva morta pronta para se casar com um noivo vivo, tanto quanto pareceria estranho se Tim Burton fizesse uma comédia romântica sobre o casamento. Em A Noiva-Cadáver estão juntas as duas esquisitices, o que o torna um típico trabalho de Burton. O diretor vive assolado por alguns fantasmas — talvez provenientes do apreço que tem por fábulas e filmes de terror antigos —, por um mundo em que a beleza se faz da escuridão, por personagens exóticos, solitários, em constante estranhamento com a vida, pelo humor negro. Essas são as marcas que podem ser vistas em vários dos seus filmes. A película tem atmosfera gótica e uma alegria incomum nos mortos.

Tim Burton tem uns parafusos a menos, e é isso que eu gosto nos filmes dele. Podem dizer o que for porque gosto não se discute, se lamenta!. Algo além das marcas dele afirma que ele surgiu do cinema de animação, ele parece capitanear uma corrente que luta pela sobrevivência do stop-motion. É um trabalho de Hércules, imaginem. Como diz seu queridinho Johnny Depp (que aliás este é o 5º de 7 filmes em que trabalham juntos. Os outros foram: Edward Mãos-de-Tesoura (1990), Ed Wood (1994), A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999), A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005), Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007) e Alice no País das Maravilhas (2010)), estamos diante de “uma arte em extinção”, e é realmente algo a ser salvo, sobretudo por conta dos resultados.

Outra figurinha carimbada em seus filmes é sua esposa Helena Bonham Carter, tão estranha quanto Burton! Mike Johnson, que divide a direção com Tim Burton, conta que não há mais projetos desse porte e dessa visibilidade sendo feitos neste estilo. As “facilidades” da animação digital, modelada diretamente no computador, devem representar economia na produção (suponho) e algum ganho de resultado no realismo das imagens (é fato). Mas tem alguma coisa estranha no stop-motion, claro em A Noiva-Cadáver, que a animação digital deixa escapar: é como se os bonecos que vemos caminhar e dançar na tela fossem de carne e osso. Coisas que só a materialidade faz por nós. Isso por que ele foi o primeiro do gênero a utilizar o programa Apple's Final Cut em sua edição.
Sinopse: Em um vilarejo europeu do século XIX vive Victor Van Dorst (Johnny Depp), um jovem que está prestes a se casar com Victoria Everglot (Emily Watson). Porém acidentalmente Victor se casa com a Noiva-Cadáver (Helena Bonham Carter), que o leva para conhecer a Terra dos Mortos. Desejando desfazer o ocorrido para poder enfim se casar com Victoria, aos poucos Victor percebe que a Terra dos Mortos é bem mais animada do que o meio vitoriano em que nasceu e cresceu.


Sobre a história, o que posso dizer é que a Noiva-Cadáver conta a história (musicada) de um casamento bastante atribulado. É quase uma ópera em animação protagonizada por Victor, um rapaz tímido, de uma família de burgueses emergentes, que tem um casamento arranjado com a filha de nobres falidos. Ele e a noiva Victoria se conhecem apenas no dia em que vai haver um ensaio para a cerimônia, e, apesar disso, se apaixonam. Victor e o pastor ranzinza não se dão muito bem nesse ensaio, que termina antes do fim. Sozinho em um bosque, repassando as falas do casamento, Victor, sem querer, acaba por prestar votos e consumar as intenções com um galho de árvore, que era, na verdade, a mão do cadáver de uma pobre noiva assassinada. Daí em diante, é apresentado o fantástico mundo dos mortos criado por Burton.
A princípio, Victor, puxado para baixo da terra pela mão com a aliança, é o único a ter contato com esse outro mundo, absolutamente surpreendente. O mundo dos mortos é a negação do mundo dos vivos, não só no que diz respeito à vida. Ao contrário do que a tradição tem por hábito considerar, a morte é alegre. Em certo sentido, há mais vida entre os mortos. A proposta de Burton não é explicar esse mundo. O que podemos entender dele se extrai da comparação. No mundo dos vivos não há muita cor, os personagens têm dificuldade em sorrir, as intenções são movidas por interesses, há uma forte rigidez na hierarquia e nas ações. É o oposto do mundo dos mortos, onde temos cores quentes e um constante clima de festa. Falando em hierarquia, fortemente presente no mundo dos vivos, é possível estabelecer uma ordem ascendente que vai do ponto mais baixo — o mundo dos mortos —, passa pelos empregados, pela burguesia emergente e termina na nobreza. Quanto mais alto o degrau, mais fortes os argumentos para se questionar o valor da vida. 
São por essas considerações que passam os dilemas de Victor. A vontade que dá é a de inverter essa escada.
Falando em inversão, o modelo aqui apresentado inverte um outro, clássico, de apresentação do mundo dos mortos: o Hades, na literatura grega, que tive que ler ainda na graduação em artes. Lembro de uma passagem da Odisséia de Homero (que já li um zilhão de vezes pq tenho ele em  edição hardcover de 1983!) em que Ulisses vai ao mundo dos mortos consultar um adivinho e se encontra com a alma de Aquiles. As características marcantes dos seres desse mundo são a perda do tato, da materialidade, e a incapacidade de pensar e perceber. São sopros que vagam aleatoriamente na escuridão, sendo preciso realizar um ritual para entrar em contato com eles. Bem como diz a tradução: “Esta é a lei dos mortais, logo que morrem: os nervos não mais seguram as carnes e os ossos; a força impetuosa do ardente fogo os destrói, logo que a vida abandona a branca ossatura e a alma se esvola como um sonho.” Nesse modelo, a vida já é, em si, o maior valor. Aquiles, o guerreiro que se torna imortal pelos feitos e pela bravura, passa a questionar o heroísmo ao conhecer o Hades. Em A Noiva-Cadáver é o oposto. Ficamos convencidos, como Victor, de que a vida não é assim tão grande coisa. Depois da primeira música apresentada pelas caveiras em um bar, a morte me pareceu bem mais divertida! J
O filme é todo muito bom, do roteiro à produção, passando pela direção de arte e pela interpretação na voz dos atores que dão vida aos personagens. Mas é preciso destacar o trabalho de Danny Elfman, responsável pelas músicas. Este não é o primeiro post que falo de referencia musical. Quando a trilha sonora merece ser destacada, eu falo. Elfman é parceiro de Burton na maioria de seus filmes e tenho certeza que você também o conhece. Ele é o autor da música tema dos Simpsons. (falei que você conhecia) A música dele no filme marca com extremo bom gosto os momentos cruciais, além de servir como meio de se contar a bela história. A cena em que Victor e a noiva-cadáver tocam piano juntos é belíssima e constrói uma cumplicidade e envolvimento entre eles que faz o protagonista mudar de idéia quanto à volta à vida.


Para terminar este post, eu gostaria de compartilhar um link. Trata-se do primeiro curta de animação feito em stop-motion por Burton, em 1982. É uma bela homenagem a um importante ator dos filmes de terror antigos, chamado Vincent Price, mas dá para arriscar que tem nele um pouco de autobiografia. Já estão aí nesta estréia a estética de A Noiva-Cadáver e de O Estranho Mundo de Jack, marcadamente influenciada pelo expressionismo alemão, e a sombria mistura de fantasia e realidade. 

Tim Burton... é desde sempre um sujeito meio raro, de estranhas preferências que acabam agradando a todos... Talvez por isso me dediquei tanto a ele. Imperdível para quem tem acompanhado aqui no blog minhas escolhas semanais. 
Foi de longe, meu post mais querido e longo!
Espero que a escolha agrade e desculpem pela brincadeira com o que seria o tema do mês, mas podem esperar por mais esquisitices amorosas neste mês.


Küsse...(expressão alemã...rs)


Que tal conferir também...

5 comentários

  1. Guilherme Zimmer8 de junho de 2011 20:34

    Fantástico o filme escolhido para representar este mês cheio de amor... o frio ajuda a aproximar as pessoas...

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  2. ADORO Tim Burton ... e principalmente A noiva cadaver ... é um daqueles filmes que eu assisto sempre que passa, já coemceu ayeé decorar algumas fala, e não me canso de assistir ...

    *_*


    OTIMA escolha Gi

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  3. Tb adoro Tim Burton, Edward Mãos-de-Tesoura é o meu preferido. mas noiva cadáver é ótimo , muito lindo.
    Adorei a escolha.
    Amor é sempre um ótimo tema rs

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  4. Por incrível que pareça ainda não assisti esse filme...não por falta de interesse, acho que passou despercebido mesmo...rsrsrs
    Mas acho que deve ser muito legal!
    Vou assitir...

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  5. adorei!!! ja asssiti o filme um milhao de vezes e ainda nao me cansei ♥
    meuito bom mesmo!!! vale a pena *-*

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