Lentes Mágicas #7: Um Amor Fatal!

16/06/2011

Quarta feira, dia de lentes mágicas e neste mês o amor está no ar. Expliquei no outro post que meu critério de falar sobre amor seria diferente.
Hoje vou falar sobre amor fulminante! Daquele que modifica sua vida, que turva a visão e enlouquece. Quando deseja-se algo muito intensamente, isso pode enraizar de tal forma que nos transforma em parte ou até totalmente no objeto de desejo.
O desejo de ser perfeita dentro da profissão de bailarina é algo que pode transtornar qualquer um que queira uma posição de destaque. Assim como em qualquer arte, ter um tipo único de trabalho pode limitar o quanto se pode subir na carreira. Para o pintor, deve deixar uma marca única, para o ator uma gama de interpretações e para o bailarino a energia mais visceral e autentica. 



O filme de hoje é “Black Swan”, O cisne negro. E começo com 3 de várias sinopses apresentadas para o filme:
“Nina Sayers (Natalie Portman) é bailarina de uma companhia nova-iorquina de balé. Sua vida, como a de todos nessa profissão, é inteiramente consumida pela dança. Ela mora com a mãe, Erica (Barbara Hershey), bailarina aposentada que incentiva a ambição profissional da filha. O diretor artístico da companhia, Thomas Leroy (Vincent Cassel), decide substituir a bailarina principal, Beth MacIntyre (Winona Ryder), na apresentação de abertura da temporada, O Lago dos Cisnes, e Nina é sua primeira escolha. Mas surge uma concorrente: a nova bailarina, Lily (Mila Kunis), que deixa Thomas impressionado. O Lago dos Cisnes requer uma bailarina capaz de interpretar tanto o Cisne Branco com inocência e graça, quanto o Cisne Negro, que representa malícia e sensualidade. Nina se encaixa perfeitamente no papel do Cisne Branco, porém Lily é a própria personificação do Cisne Negro. As duas desenvolvem uma amizade conflituosa, repleta de rivalidade, e Nina começa a entrar em contato com seu lado mais sombrio, mexendo com seu psicológico.”[1]
‘Cisne Negro’ é um thriller psicológico ambientado no mundo do balé da Cidade de Nova York. Natalie Portman interpreta uma bailarina de destaque que se encontra presa a uma teia de intrigas e competição com uma nova rival interpreta por Mila Kunis. Dirigido por Darren Aronofsky. Cisne Negro faz uma viagem emocionante e às vezes aterrorizante à psique de uma jovem bailarina, cujo papel principal como a Rainha dos Cisnes acaba sendo uma peça fundamental para que ela se torne uma dançarina assustadoramente perfeita.”[2]
“Nina é bailarina de uma companhia de balé de Nova York. Sua vida, como a de todos nessa profissão, é inteiramente consumida pela dança. Ela mora com a mãe, Erica, bailarina aposentada que incentiva a ambição profissional da filha. O diretor artístico da companhia, Thomas Leroy, decide substituir a primeira bailarina, Beth MacIntyre, na apresentação de abertura da temporada, O Lago dos Cisnes, e Nina é sua primeira escolha. Mas surge uma concorrente: a nova bailarina, Lily, que deixa Leroy impressionado. O Lago dos Cisnes requer uma bailarina capaz de interpretar tanto o Cisne Branco com inocência e graça, quanto o Cisne Negro, que representa malícia e sensualidade. Nina se encaixa perfeitamente no papel do Cisne Branco, porém Lily é a própria personificação do Cisne Negro. As duas desenvolvem uma amizade conflituosa, repleta de rivalidade, e Nina começa a entrar em contato com seu lado mais sombrio, com uma inconseqüência que ameaça destruí-la“.[3]
Título: Cisne Negro
Título Original: Black Swan

Distribuidora/Produtora: FOX
Duração do Filme: 103 minutos
Gênero: Drama/Suspense
Diretor: Darren Aronofsky

Roteiro: Mark Heyman e Andres Heinz
Distribuidora: Fox Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2010

O que mais me impressiona é como sinopses de um filme podem ser tão diferentes e não falar nada sobre o filme. Não entendo para que tantas formas de tentar enganar as pessoas. Numa não se fala nada, só vemos a apresentação das personagens. Noutra dá a entender coisas que não existem no filme. E num terceiro quase solta um spoiler e também inventa uma situação que não existe.


O que eu posso dizer é quem assistiu ao filme, foi ver porque ouviu falar muito nele: gente falando mal, gente falando bem, gente que louva gente que nem fala que viu. A mídia endeusando a Natalie, jogando verde pra colher maduro. Sempre que vejo esse tipo de coisa fico curiosa, mas com um pé atrás, pois sou da teoria da conspiração (risos)... Confesso que conheço pessoas aficionadas por esse filme que me deixaram com vontade de assistir, mas a vontade de ver depois, com calma, em casa, falou mais alto e foi o que fiz. Agora começa minha opinião sobre o filme e de porque escolhi ele para a semana pós dia dos namorados;

No começo, eu sentei lá na minha sala, tranqüila, pensando em quanto iria me decepcionar e de quanta falsa expectativa as pessoas fazem sobre alguns filmes. Depois de 10 min de filme, já se nota algumas simbologias clássicas, misturadas a linhas culturais contemporâneas. Perfeito! Chama minha atenção, me prende na história, me supreende. E agradeço. Pegar uma história como balé, uma arte quase esquecida, misturar com a linguagem psicológica do eneagrama é uma bela jogada! Não dá pra falar dessa parte magnífica sem dar spoiler, então, já aviso pra não ler o resto do post se ainda não viu o filme.
Pra quem não sabe, essa linguagem mostra uma linha reta de eventos que se desenvolvem dentro de uma linha comportamental. A protagonista em o Cisne Negro tem fobias, é filha de mãe repressora que quer realizar seus sonhos através da filha. Outra coisa que gosto muito de ver é esse jogo do branco/negro, bem/mal, claro/escuro do que já vemos representado no balé original. É a história atingindo a história, algo que faz tempo que ninguém faz com maestria. Fica muito claro o que a Nina precisa ser para poder fazer os dois papéis do balé. Mas é como se ela já estivesse para se rebelar, sua autopunição por não ser perfeita nos é mostrada desde o inicio do filme. A personagem vive uma luta interna, uma dualidade entre aceitar e acolher sua sombra contra toda uma educação baseada na repressão vinda por parte da mãe. O lado meigo, simples, delicado e doce, contra o medo de parecer uma pessoa ruim, incompatível ao mundo em que vive, que é competitivo e complexo. No meu entendimento, com exceção do início do filme, todo o resto passa-se na mente de Nina, um padrão mental que reflete todos os demônios internos, todas as cenas foram vividas em sua mente.
Eu classificaria as coisas da seguinte forma:

Cisne Branco: a máscara da busca pela perfeição, o medo de errar, a autopunição, o lado reprimido do ser, o controle da raiva escondida e inconsciente, desejos abafados pelos julgamentos de certo e errado, o grito calado, a negação.
Cisne Negro: a sombra, o lado negro ocultado por uma meiguice ímpar, a perversidade, a loucura, o diálogo interno, os desejos mais profundos, os segredos de luxúria, a vontade de expressar tudo que não é permitido.
Coreógrafo: Instiga, provoca, tenta, seduz, mexe com os desejos mais íntimos de uma mulher reprimida, com o intuito de ajudá-la a se desbravar, a se conhecer, a se aceitar como uma mulher completa, inteira e livre. A força do masculino conduzindo, abrindo caminhos para a expressão da energia sexual, o instinto dançando livremente através de um corpo aparentemente frágil.
Amiga: Sua sombra, seu espelho. Tudo que a personagem nega em si mesma.
A liberdade que ela gostaria de ter e ser, a expressão dos desejos ocultos, a coragem, o outro lado da moeda, o seu inconsciente que fere, causa insegurança, ciúmes, competição, comparação, a luxúria, a vaidade, a paixão, a força sexual, a quebra de padrões, a alegria, uma alma livre de preconceitos e julgamentos. Os conflitos e ao mesmo tempo a identificação com a amiga, a dificuldade de ver em si mesma tudo que a incomodava na outra. Uma mistura de amor e ódio, repulsa e desejo. Depois de ter vivido intensamente na sua imaginação todos os conflitos da sua sombra refletida através da amiga, Nina consegue quebrar a projeção, o espelho.
Aceitação: Na cena onde ela quebra o espelho e supostamente mata a amiga, ela está matando sua negação, acolhendo o que é seu, reconhecendo em si tudo o que a amiga representa. No mesmo instante em que quebra o espelho, Nina abraça seu lado escuro, aceitando, acolhendo e tornando-se inteira. Incorpora o cisne negro dentro de si com tudo que lhe pertence.
A raiva se transforma em força, o ciúme em segurança, a alma se torna livre para dançar e expressar em sua plenitude que se torna uma mulher/bailarina verdadeiramente livre.
Final: Quando no espetáculo acontece o quinto ato, o ato da morte do cisne branco, Nina morre devido ao pedaço de espelho, na verdade ela está representando através da morte a sua libertação. É onde vemos ela sorrir lindamente e dizer que ela foi perfeita por que sentiu de verdade.

Perceber tudo o que transtornou Nina, sua busca por algo perfeito, conseguir o que a mãe não conseguiu pra dizer que é melhor, a manifestação do querer ser mulher, a transformação em cisne desde que arranca uma pena que supostamente está crescendo nas costas e ver em todos os arrepios dela que ela é o cisne, é muito bom! Minha cena favorita não é bem uma cena, é um momento que se repete varias vezes, quando Nina vê a si mesma como se fosse outra... É sutil, mas é ali que já conseguimos identificar o que vai rolar com essa personagem.

O incrível é perceber que eu vi um filme tão belo, bem feito, cheio de nuances sutis sem ler as sinopses, sem ter visto nenhum trailer, só ouvindo comentários sobre as indicações do filme ao Oscar e ao Globo de Ouro, e meus amigos que foram vê-lo no cinema. Adorei não ter criado expectativa antes de ver o filme e escrever sobre ele dizendo que realmente ele é bom. Não exatamente onde todo mundo disse que era bom, pq a trilha sonora é conhecida, os figurinos são conhecidos, a maquiagem é simples e os efeitos serviram apenas para reforçar o que Natalie fez como atriz. 
Também gosto dela na "Loja Magica de Brinquedos". Outra coisa que sinto desnecessário é falar sobre as curiosidades sobre a filmagem: como deslocar a costela, o treinamento de balé da atriz, do super esforço em ficar hipermagra para não perder o papel, sobre a duble de dança, sobre a tequila pra cena do beijo... ;)

Peço que quem já viu o filme assistam de novo, quem ainda não viu vejam. Recomendo que assistam com um olhar mais profundo, que ultrapasse a linha do óbvio. Vejam esse amor que vai nos atrofiando aos poucos, um amor que ultrapassa limites e a sanidade. Um amor que nos mata: um amor fatal!

Agradeço todos os comentários do Lentes Mágicas e aguardem o filme da semana que vem. Qual será o amor que vou apresentar a minha opinião pra vcs? 
Abraços cinematográficos!


Que tal conferir também...

8 comentários

  1. Gi, adorei... Assisti o filme e concordo com cada coisa que vc esceveu. Confesso que assisti por falerem muito dele... E esperava outra coisa. Mas me surpreendi. O duelo que ela trava com si mesma! PERFEITO!!!

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  2. Uau! Não vi o filme ainda mas ja estava com muita vontade de tanto ouvir comentários e pelo filme ter sido indicado ao oscar e tudo mais. E depois desse post vou ver o mais rápido possível!

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  3. Gi vc me convenceu ... vou atras de assistir esse filme o mais rapido possivel ...

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  4. Não li a parte da opinião pessoal pq tô com o filme aqui em casa e ainda não assisti, então, depois volto pra comentar o que achei, ok?

    @BobbyDupeaGirl

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  5. Meu Deus! Que maravilha de resenha… eu até vou querer assistir ao filme depois do que li aqui… sei que o filme é intenso… sei que Natalie Portman é uma grande atriz… quero descobrir se o Oscar foi merecido…

    Parabéns Gi!

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  6. o filme realmente é excelente, um dos melhores que eu tive a oportunidade de ver nestes últimos tempos.

    além disto é uma ótima escolha para falar de amor porque a personagem realmente amou dançar e alcançar a sua perfeição.

    Recomendo...

    @ga_zimmer

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  7. vi o filme e amei, sempre que algum blog falava dele me dava mais vontade ainda e vi e me suspreendi ♥ vale a pena

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  8. Gente, agradeço muito pelos comentarios! É muito bom saber que tem alguém no outro lado da rede! Adoro ler o q todos tem a dizer! É uma delicia! Valeu galera... =*

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