As Peças Infernais: Príncipe Mecânico (Livro 2) - Cassandra Clare

02/12/2013


Olá amigos do Sael!

A resenha de hoje é do segundo livro da série As Peças Infernais, o mundo antes de Os Instrumentos Mortais de Cassandra Clare. 

Sinopse: "Tessa Gray não está sonhando. Nada do que aconteceu desde que saiu de Nova York para Londres — ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, perseguida por um exército mecânico, ser traída pelo próprio irmão e se apaixonar pela pessoa errada — foi fruto de sua imaginação. Mas talvez Tessa Gray, como ela mesma se reconhece, nem sequer exista. O Magistrado garante que ela não passa de uma invenção. Para entender o próprio passado e ter alguma chance de projetar seu futuro, primeiro Tessa precisa entender quem criou Axel Mortmain, também conhecido como Príncipe Mecânico."

Quem conhece o blog sabe que eu adoro fazer perguntas. Geralmente eu começo minhas resenhas perguntando sobre fatores fundamentais, questões de moral (ou não). Já quem conhece o mundo criado por Cassandra e se apaixonou Os Instrumentos Mortais sabe qual a linha de pensamento e os acontecimentos que ela usa para narrar suas histórias. Então escolhi não ficar falando da série em si, mas sim, falar do que eu li num contesto geral. Juntar minha forma de escrita com a dela é que foi um desafio. Resolvi me manter fiel ao que eu gosto de fazer: aproximar a história da nossa vida usando perguntas. Assim esclarecido então, eu vou ao que interessa.

O que você entende por lealdade? 
Quando há uma amizade unida por um juramento inquebrável, a lealdade assume outra forma. Há outros caminhos que podemos seguir sem quebrar o ideal de lealdade e manter sua palavra num acordo. Nem por isso deixa de ser amizade, por que vai mostrar o nível de comprometimento entre os envolvidos. Ainda mais quanto há um perigo iminente que ronda suas vidas. Estou falando de Will e Jem. 

O que você entende por amor?
Pode-se amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Sim, estou afirmando. Sempre há aquela restrição hipócrita de nomear amor de mãe, amor de irmãos, amor de amigos, amor romântico... Penso que amor é amor e gostei da Cassandra por ela mostrar em seus livros que acredita no mesmo. Claro que temos que fazer escolhas e elas são difíceis. Estou falando de Gideon e Sophie, de Will e Tess, de Jess e Nate, de Tesse e Nate, de Charlotte e Henri, de Tess e Jem... A dúvida antes da escolha é o tempero oficial dos livros de romance e neste livro não fugimos disso. 

Tenho muitas outras perguntas sobre o que acontece no livro, na história antes, na série, que vai além de quem vai ficar com quem, em quem trai quem, ou ainda quem morre e porque. Minhas dúvidas vão para as questões que nos prendem a história: o papel da mulher na sociedade, a lealdade entre amigos, no amor em sua totalidade, no julgamento de um personagem pelo o que a família fez ou faz, na relação marido e mulher, no platônico e no definitivo, o que esperar de quem é belo e o que é belo, até aonde as virtudes são boas... Sou dessas que tenta identificar comportamentos que eu já tive, problemas que se parecem com os nossos, da parte pé no chão de toda ficção. Não é a toa que estas questões estão nas leituras de Cassandra, ou mesmo em qualquer outra serie que a gente curte. Quem escreve gosta de pensar nas diversas reações que vão surgir, certo? Prefiro acreditar que sim... Por exemplo, quando você lê:
"- A mudança nem sempre é conquistada de forma pacífica, mas isto não faz dela uma desvantagem. Mantenho meu desafio."

Mesmo fora do contexto há uma mensagem bem específica sobre a opinião da autora velada na fala de uma de suas personagens. Ou então: 
"- Ele se apaixonou. Não é tão estranho assim.
- Se apaixonou? Caiu de cara é o mais apropriado. Ficou de quatro. Ainda há homens assim, para os quais só existe uma mulher e só ela, ela ou nada."
Ela nos dá a visão da maioria sobre o amor entre um homem e uma mulher quando ele se entrega. E as conseqüências que um amor deste gera: perda do medo, sensação de segurança, incoerência, entre outros. Ou ainda:
"- A beleza é áspera!"
Ela poderia ter usado a beleza custa caroa beleza é uma maldiçãoo que é belo sempre quebra.... mas ela usou a beleza é áspera. E pensar nas escolhas de palavras de um escritor e todas as pulgas que eles deixam atrás de nossas orelhas é maravilhoso. Estas e muitas outras frases se transportam até nós. Se deixarmos, é claro. 

Seguir as linhas escritas por Clare sobre Tessa, Will, Jem, Jess, Nate, Charlotte, Henri, e todas as suas personagens é viajar na delicadeza das palavras escondidas, naquilo que não está dito, nas confusões bem resolvidas e nas decisões cheias de dúvidas. É muito mais do que a guerra que se desenha por trás, muito maior dos que os quarteirões de Londres onde se passa a história. É ver que alguns escritores nos mostram citações de seus livros/autores favoritos como parte da trama. É sentir que escreveu, apesar de todos os outros livros da série, com paixão e cuidado. 

É muito mais do que uma capa linda (e é) e ainda mais do que uma sinopse que fala mais do tem no livro, meio que um spoiler do que vai acontecer depois dele. Para quem gosta da série, procure enxergar além das páginas, se transporte para história mas deixe a história vir até você também! Não é só no mundo da fantasia que os valores podem ser resgatados... Se prestarmos bastante atenção, cada um tem seu parabatai!

Até a próxima!



Que tal conferir também...

4 comentários

  1. Oi Gisele,
    Eu ainda fico com um pé atrás sobre ler esta série e a outra da mesma autora. Mas acho as capas lindas demais.
    Também gosto de detectar quando o autor inclui os valores nos quais acredita.
    Um romance bem complicadinho pelo visto...
    Acredito que acabarei cedendo e lendo estes livros. Mas com calma pq a série é longa, certo?

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    Respostas
    1. A série é longa e tem previsão de ficar maior, Danielle!

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    2. A série é longa e tem previsão de ficar maior, Danielle!

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  2. Eu gosto muito de Instrumentos Mortais e não é diferente com As Peças Infernais. No primeiro volume fiquei meio perdida com os novos personagens mas depois de estar familiarizada, gostei muito da história e estou muito ansiosa para ler Princesa Mecânica.

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