Iscas – J. Kent Messum

16/05/2015

Seis estranhos acordam em uma ilha deserta sem qualquer lembrança de como chegaram ali, mas logo se torna evidente o que todos têm em comum: são dependentes de heroína. Sequestrados e colocados à força em um jogo mortal.
Em pouco minutos, começam a discutir, porém os ânimos se acalmam quando eles encontram um baú com água, comida e uma carta informando que ninguém irá socorrê-los e que, do outro lado do canal, há uma segunda ilha, onde eles encontrarão mais suprimentos e uma recompensa para quem completar a tarefa: uma dose da mais pura heroína.
Quando os primeiros sintomas da abstinência aparecem, eles não veem alternativa a não ser se entregar à pressão psicológica imposta pelos misteriosos torturadores. Então se aventuram em um oceano de terror.

“Se ao menos eu tivesse escutado, se tivesse entrado à esquerda e não à direita numa bifurcação da estrada, se não tivesse sempre chapado e com uma tremenda ressaca, talvez tudo fosse diferente agora.” (pág. 9)

Iscas foi um daqueles livros em que a sinopse me deixou super curiosa. A Fabi também ficou quando a gente leu as sinopses para escolher os livros da parceria com a Record, mas quando o livro chegou aqui em casa eu não resisti e comecei a leitura. Messum apresenta um livro diferente do que estou acostumada a ler, mas que me ganhou desde a primeira página.

Imagina você acordar em uma ilha deserta, ao lado de mais cinco estranhos e não fazer a menor ideia de como foi parar no lugar... Imagina que você não conhece ninguém e nem tem ideia de por que cada um foi escolhido e o que será preciso fazer para sair dali. Qual seria sua primeira reação? O que você faria, pensaria e como reagiria? Agora imagina que tudo o que vocês seis tem em comum é o vício – nesse caso em heroína – e que não vai demorar muito para a crise de abstinência começar a cobrar seu preço...

“Ele não conseguia pensar noutra coisa, fissurado por uma agulhada como uma ninfomaníaca por um pau duro. O desespero se instalou nas profundezas obscuras do seu ser, que evitava qualquer contato com a luz. Dali a pouco ele explodiria com alguém.” (pág. 127)

Quando você pensa que quem está na ilha são seis viciados, e que para sobreviver eles precisam não só enfrentar uma crise de abstinência, mas também um mar cheio de tubarões e uns aos outros... O fato de eles serem viciados mudaria a sua opinião sobre o que deveria acontecer com eles? O fato de eles serem uma “ponta podre” da sociedade muda a sua opinião sobre eles merecerem ou não morrer? É certo ou errado eliminar uma pessoa que não trás benefício nenhum à ninguém? Quanto vale uma vida? E se essa vida for de um viciado em drogas, ela vale menos?

“Se existia um Deus que oferecia o paraíso aos que tivessem sua imagem e semelhança, então aquele tipo de H com certeza era a amostra, pois ela até conseguiu vislumbrar os portões do paraíso.” (pág. 142)

Entre inúmeras questões sociais e morais, Messum conta uma história que prende a cada página, que tem um toque de aventura que deixa o leitor sem fôlego e que me lembrou em alguns momentos vários filmes de ação que já assisti. Uma das maiores referencias que fiz foi com Corrida Mortal... No filme são assassinos, no livro viciados... E os dois ‘geram’ entretenimento para o público que assiste e não se importa se o preço é a vida de quem está no jogo. No livro não temos um reality show como no filme, mas temos um grupo de pessoas que aposta em quem vai morrer primeiro e qual será a ordem das mortes. Nesse ponto, vemos que uma vida humana foi reduzida a apenas uma anotação de apostas e isso me deixou chocada em ver que poderia sim acontecer e que não seria difícil se esconder e burlar leis para um jogo mortal nesse tipo.

"Deixou que pairassem em sua mente pela primeira vez em muito tempo, os ferimentos no corpo e na alma, que jamais cicatrizaram.
Em que momento as pessoas se tornavam irrecuperáveis?" (pág. 239)

Iscas é intenso e me pareceu incrivelmente real e possível, o que de certa forma me encantou e me assustou ao mesmo tempo. Eu terminei o livro com a sensação de que ele não é ficção, muito mais do que eu tive com Jogos Vorazes ou com Battle Royale – que seguem a mesma linha de matança e luta pela sobrevivência. Acontece que eu tenho a impressão de que ele me ganhou pelo fato de ter levantado tantas perguntas e me feito refletir tanto. De certo modo, os personagens na ilha não conquistam (eles são viciados em heroína e que não dão nenhum motivo que vale a pena torcer para eles se salvaram além do fato de que ninguém merece morrer só por ser viciado), os ‘donos’ do jogo – os cara que colocaram e armaram tudo – não se mostram realmente e parecem mais doentes do que os próprios viciados e a guarda marinha que aparece no final é apenas uma participação especial sem sentido. Então não, Iscas não é um livro que vai te conquistar pelos personagens. Messum me ganhou pelo seu estilo de narrativa e pelas questões que ele me fez pensar – e por esse motivo eu super indico a leitura.licavargas

Romântica incurável com um toque de Drama Queen. Sonhadora, teimosa e viciada em livros, afinal, se você não pode cair no mundo, viva através dos personagens! Criadora do blog Amores e Livros, ainda acredita que um dia será paga para ler! Facebook / Twitter / Instagram

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5 comentários

  1. OI Lica!
    Olha, do jeito que você resenhou o livro, me lembra um pouco Jogos Mortais, sabe? Que o Joker sempre pega alguém assim, que ele acha que não trás benefícios para a sociedade e tals..
    Mas, vou dizer, o livro já me ganhou!! É o típico livro que eu gosto e aposto que ficaria muito presa nele igual você!
    Beijos

    LuMartinho

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  2. Adoro livros que fazem o leitor refletir, porque desses sempre dá para tirar um ensinamento. Agora é uma pensa que os personagens não tenham te convencido tanto. Fiquei interessada para conhecer quais os questionamentos que ele levanta e saber o desfecho. Acho que vai me prender também!

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  3. Eu achei a sinopse desse livro bem interessante! Uma pena não ter personagens verossímeis. Provavelmente é mais um roteiro de filme de terror que não virou um filme, mas um livro de entretenimento.

    ;)

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  4. Lica, que história eletrizante.
    Impossível não se interessar.
    Fiquei curiosa, pois mostra algo bem real.
    Qual o preço de uma vida? E mesmo que essa vida seja de um viciado?

    Lisossomos

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  5. Estou lendo d adorando.. Realmente te prende desde a primeira página..

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