Operação Harém - Tony Chastinet

09/01/2016

Depois de ter o sonho de fazer dinheiro no exterior destruído, Ariane volta ao Brasil disposta a denunciar uma grande rede de prostituição de luxo e tráfico internacional de mulheres. É assim que começa Operação Harém, livro-reportagem do jornalista Tony Chastinet, que, instigado pelo anonimato da operação à época, foi buscar informações para encaixar as peças dessa brilhante investigação conduzida pela Polícia Federal e por agências de segurança internacionais. O leitor terá à mão os detalhes do esquema milionário e saberá um pouco mais da vida das mulheres que fazem o famoso book rosa. Mergulhará na grande rede da prostituição de luxo, onde não há limites para o poder e a ganância.

Quando fiquei sabendo do lançamento de Operação Harém, o livro logo entrou na minha lista de desejados. Não é exatamente meu tipo de leitura, mas achei que seria interessante ler algo relacionado ao mundo secreto da prostituição de luxo. Confesso que é um tema que me chama muito a atenção e que já vi vários documentários a respeito.

Ao saber que o livro foi montado através de cinco anos de pesquisa do jornalista Tony Chastinet, fiquei ainda mais curiosa, então o livro passou na frente de várias das minhas leituras. Operação Harém - O mundo secreto da prostituição de luxo começa contando a história de Ariane, uma brasileira que foi para o exterior na tentativa de fazer dinheiro e acabou se envolvendo com uma grande rede de prostituição. Mesmo dizendo que nunca faria algo assim, que não era uma 'puta', o dinheiro fácil e rápido balança e ela acaba entrando no esquema. Após algum tempo com tudo correndo como ela imaginou, um dos programas de Ariane acaba dando errado (muito errado e nem uma prostituta merece passar pelo que ela passou) ela decide largar tudo, voltar ao Brasil e denunciar os envolvidos.
"Nesse mundo exclusivo, desfilaram políticos, megaempresários, mafiosos estrangeiros, jogadores de futebol e celebridades que testaram, o tempo todo, a tese de que o dinheiro compra tudo." (pág. 10)
Na minha opinião pessoal, falando do tema e não no sentido de julgar algum dos envolvidos, acho que é muito fácil se envolver nesse mundo e só ver o lado positivo dele. Estar longe de casa e ganhar dinheiro rápido e fácil pesa muito - me fazendo pensar que é um tipo de discurso que hipnotiza as pessoas. São discursos do tipo: Você é bonita, que tal trabalhar com eventos? Um cara ou outro pode querer te levar para o hotel, mas eles são ricos, educados e vão pagar muito bem. Quanto você ganha em um mês? Por que não ganhar mais que isso em apenas algumas horas? Mas você vai para cama com vários e nem cobra nada, por que não unir as duas coisas? Coisas assim me fazem entender muito bem como alguém entra para esse mundo. 

O fato é que nesse esquema todo, não são só mulheres que estão longe de casa como o caso de Ariane. Muitas modelos, atrizes e subcelebridades entram no que é conhecido como book rosa. O problema é que nada é como no cinema e nesse caso não seria diferente. Mesmo que a pessoa queira entrar nesse mundo, que ela procure por ele, isso não quer dizer que ela não mereça respeito, que ela pode ser maltratada (física ou psicologicamente). É fácil pensar que por estarmos falando de grandes empresários, de pessoas com muito dinheiro, os riscos e perigos não existam.

A Polícia Federal fez um bom trabalho na operação em 2009, mas a mídia não deu muito destaque para isso. Estranho seria se tivesse dado, afinal, não estamos falando da prostituição simples e sim a que ocorre onde os envolvidos são cheios do dinheiro. E não venha me dizer que o dinheiro não compra tudo, pois ele compra sim. Tanto isso é verdade que todos os que foram acusados e indiciados ficaram somente alguns meses na prisão, ganharam o direito de responder em liberdade e mesmo depois de condenados, ainda continuam livres. Os nomes dos clientes nunca foram revelados - e, mesmo com o trabalho da polícia em desmontar um grande ramo do negócio, ele ainda continua acontecendo - agora com outros cafetões e cafetinas.

Eu esperava um tom mais jornalistico no livro. Que ele fosse mais informativo e não tão romanceado do que jeito que ele é. A escrita é simples e isso é tanto um ponto positivo quanto negativo. Se torna positivo por ser de fácil acesso e qualquer pessoa interessada irá ter facilidade em seguir com a leitura. Para mim, foi um ponto negativo já que por muitos momentos tem reproduções de diálogos que, na minha opinião seriam mais interessantes se estivessem escritos em forma de depoimentos. Eu penso que o assunto é tão interessante que toda o trabalho da polícia e a própria pesquisa de Chastinet brilharia ainda mais em um tom informativo, com mais cara de investigação. Mas vale lembrar que essa é a minha opinião e que não quero dizer que não foi uma leitura interessante e nem que não vale a pena você fazer a leitura. Recomendo para quem quer conhecer e saber um pouco mais do que acontece no mundo da prostituição de luxo - assim como para quem quer conhecer um pouco de como foi a operação da polícia em 2009.

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5 comentários

  1. Olá Lica!
    Nossa esse realmente parece ser um ótimo livro, vou até anotar o nome para comprar e ler, gosto muito de livros policiais e esse ainda é baseado em fatos reais então deve ser melhor ainda.
    Parabéns pelo blog e pela sua escrita.
    Beijinhos Carina.

    carinapontes.com

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  2. Olá, eu sou apaixonada por livros com temas policiais mas infelizmente esse livro não me chamou atenção ou despertou meu interesse, a trama até parece ser interessante em alguns momentos mas no geral não me agradaria.

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  3. Lica, pelo que você disse é para sair da zona de conforto mesmo.
    Não é o tipo de livro que curto, mas despertou minha curiosidade.
    Acredito que se ele tivesse um tom mais jornalístico seria mais interessante.

    Lisossomos

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  4. Oii,

    Livro interessante hein. Alias muito interessante.
    Estou bem curiosa em lê-lo. Já coloquei em minha lista.

    Beijos

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  5. Oi Lica!
    Achei a premissa muito intrigante, mas não sei se leria, não é muito bem o tipo de livro que eu costumo ler. Mas como você mesmo disse, as vezes é bom sair um pouco da nossa área de conforto. Quem sabe um dia eu não leia né?

    Beijos
    http://ummundochamadolivros.blogspot.com.br/

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