O Doador de Memórias – Lois Lowry

28/08/2014

o doador de memoriasGanhadora de vários prêmios, Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existe dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não existe amor, desejo ou alegria genuína.
Os habitantes da pequena comunidade, satisfeitos com suas vidas ordenadas, pacatas e estáveis, conhecem apenas o agora - o passado e todas as lembranças do antigo mundo foram apagados de suas mentes.
Uma única pessoa é encarregada de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis.
Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo.
Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.
Premiado com a Medalha John Newbery por sua significativa contribuição à literatura juvenil, este livro tem a rara virtude de contar uma história cheia de suspense, envolver os leitores no drama de seu personagem central e provocar profundas reflexões em pessoas de todas as idades.

Eu não sou a maior das fãs de distopias. Acreditem ou não, esse não é meu estilo favorito e não li a maioria das distopias de sucesso que tem por ai. Sério. Acontece que algo me chamou a atenção e resolvi que O Doador de Memórias merecia um lugar em minha lista de leituras... E muito eu acho que veio do fator Meryl Streep no filme, já que eu nem dei muita importância para a sinopse.

Imagina um mundo perfeito, onde estamos livres da dor, da desigualdade, das guerras... Não é preciso se preocupar com alimentos – eles são entregues na sua porta e depois recolhidas as sobras. Cada idade tem sua responsabilidade e aos 12 anos seu cargo é designado e você começa a aprender seu novo trabalho. O único problema é que na ‘mesmice’ também não tem nenhum sentimento verdadeiro, nem alegria, nem amor. Mas isso não tem importância porque nenhum habitante tem lembranças de como era a vida antes – a não ser uma única pessoa: o recebedor de memória. E em sua cerimônia de 12, Jonas é o escolhido para ter a honra de ser o novo recebedor de memória.

"(...)Seu coração se encheu de gratidão e orgulho.
Mas, ao mesmo tempo, também se encheu de medo. Não sabia o que significava aquela escolha. Não sabia o que estava por vir.
Ou o que seria dele." (pág. 68)

E é aí que a história me pegou, quando Jonas começa a aprender seu novo cargo com o atual recebedor – que agora é o doador. É quando Jonas começa a ver todo o mundo maravilhoso que um dia já existiu que Lois Lowry me ganhou e me fez pensar em como muitas vezes nem notamos toda a grandeza nas coisas simples que estão em nosso dia a dia.

"-(...) Não nos atrevemos a deixar as pessoas fazerem escolhas próprias.
- Não é seguro? - sugeriu o Doador.
- Decididamente, não é - afirmou Jonas, cheio de convicção. - Imagine se pudessem escolher seu cônjuge? E escolhessem errado? - E prosseguiu, quase rindo da ideia absurda: - Ou se pudessem escolher o próprio cargo?
- Seria assustador, não é? - disse o Doador." (pág. 102)

Não sou fã de capas com pessoas e isso não é segredo. Essa coisa de já ter a imagem das personagens sem nem ler nada não me agrada muito. Mas eu não vi nenhum trailer do filme – e a única imagem antes da leitura foi realmente só a capa – então nem sei ao certo quem é quem na capa. E na verdade nem estou muito preocupa em descobrir, prefiro aguardar o filme chegar ao cinema. Mas preciso dizer que curti essa capa e gostei ainda mais de uma sutileza que só notei depois de terminar a leitura.

O Doador de Memórias é um livro curto, que li super rápido e me deixou encantada. Não naquele sentido de ficar apaixonada por um ou outro personagem e tal, mas gostei da ideia criada por Lois Lowry e estou mais do que ansiosa para ver como tudo será colocado nas telas. A ‘mesmice’ pode ter tirado todas as memórias de dor, violência e coisas ruins, mas até que ponto isso é realmente bom? E quando você não sabe de tudo que poderia ter, como pode dizer que tem uma vida boa? Se você não tem escolhas, como pode ser livre? É exatamente por essas perguntas que gostei tanto do livro e que torço para que logo venha a continuação pois estou mais do que curiosa em saber o que mais vem por ai.Lica

Romântica incurável com um toque de Drama Queen. Sonhadora, teimosa e viciada em livros, afinal, se você não pode cair no mundo, viva através dos personagens! Criadora do blog Amores e Livros, ainda acredita que um dia será paga para ler! Facebook / Twitter / Instagram

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26 comentários

  1. É aquela história né Lica? Só damos valor à felicidade se conhecermos a dor. Fiquei pensando num mundo sem memórias e me senti perdida!

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  2. Apesar de ter amado sua resenha, to correndo de séries... principalmente distopias. Geralmente são tensas e acho que vou acabar optando pelo filme mesmo... sofro duas horinhas ali e depois posso viver novamente hahahahaha

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  3. Oi Aline,

    Eu ja adoro Distopias, rss.
    Ja ouvi falar desse livro, mas ainda não li. Eu sei que essa é a capa do filme e que o livro ja teve outra capa antes do filme, obviamente. Nao sei como vai ser o filme, mas esse rapaz ai da foto não tem 12 nunca, rss.
    Mas imagina morar num lugar onde nao tem amor, nao tem raiva. Seria ótimo pelas coisas negativas, mas péssimo pelos sentimentos bons. E imagina um rapazinho de 12 anos ser responsavel por tudo isso. Eu particularmente prefiro protagonistas mais velhos.
    MAs nao vejo a hora de ler, pois como ja disse, amo distopias e se vocÊ gostou entao.

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  4. Ótima resenha, mas também estou correndo de séries. Acho que vou preferir o filme.

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  5. Oiee.
    O livro até que me interessou bastante, acho que é um daqueles em que eu não iria querer largar até terminá-lo, apesar de distopias não ser meu gênero preferido ainda assim fiquei curiosa em relação a esse livro.
    Também não curti muito a capa, achei sem graça, mas fazer o quê? Só nos resta passar por cima disso e nos deliciar com a leitura, espero tê-lo em mão o mais breve possível.

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  6. Oi Lica!
    Confesso que só me interessei pelo livro por causa da Meryl Streep no filme, gosto de tudo o que ela faz. Tirando A Hospedeira (que eu nem tenho certeza se é), eu nunca li uma distopia, acredita? Não sei se gostaria desse gênero mas a história desse livro parece ser muito boa até. Sua resenha me fez penar nas coisas bonitas e simples da vida.

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  7. A história que você apresenta aqui na resenha é bem interessante. Não esperava que fosse tudo isso. Já estava pensando em ler , mais agora fiquei mais empolgada. Principalmente depois de tantos elogios que li sobre o livro. Com certeza vou querer ler. Beijos.
    elizabethmsalles@hotmail.com

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  8. Que premissa incrível!! Não me imagino num mundo tão "artificial" assim. Acho que nossas memórias, inclusive as ruins, fazem de nós quem somos e nos dão a oportunidade de lutar e melhorar como seres humanos. Sem elas, não somos muito.
    Por todas as reflexões do livro, tenho certeza que vou gostar bastante.
    bjs

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  9. Lica!
    Sou fã das distopias e essa me parece uma distopia utópica, porque um mundo tão perfeito é difícil de acontecer, embora o imaginemos por toda a vida.
    O mais interessante que achei foi eles verem o mundo em preto e branco, sem cores e quando o recebedor começa a receber as memórias dos fatos acontecidos na terra, tudo passa a ser colorido, bem legal.
    Achei o livro interessante e quero também assistir o filme após ler o livro.
    Bom domingo!
    Cheirinhos
    Rudy

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  10. Ainda pretendo ler este livro. Gostei muito dos seus comentários sobre ele e gostaria de poder conferir sobre isso. E espero também conseguir assistir o filme. Beijos.

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  11. amo distopias, e o fato de eles verem o mundo em preto e branco me chamou muito a atenção.
    parabéns pela resenha, vou colocar este livro na miha lista de "desejados"
    bjos

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  12. Ah sim, vi que vai sair o filme e varias pessoas em grupos e page, estão falando bastante sobre o livro O doador, parece ser bem interessante por que é um mundo quase impossível de acontecer
    e, é legal a parte deles verem em preto e branco :)

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  13. quero muito ler "o doador de memorias". fico imaginando c/ seria uma sociedade assim. sem preocupaçoes. com td o que vc quizesse em suas maos.

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  14. Oiee.
    O livro até que me interessou bastante, acho que é um daqueles em que eu não iria querer largar até terminá-lo, mas o fato da continuação não ter sido lançada mesmo depois de tantos anos me afastou.
    Pelo que eu soube já são oito anos de espera e até agora nada, tenho medo de realmente me apaixonar por ele e ficar "chupando dedo" por não ter a continuação.
    Não sei se vou lê-lo tão cedo.
    Bjokas!

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  15. Parece ser bem legal, ainda mais por já ter o filme o que já é um bom sinal de uma boa leitura, gostei da sua resenha e me deixou com mais vontade de ler, espero ler em breve.......

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  16. O que me atrai neste livro é a premissa das personagens, algo bem diferente, além da trama que parece ser bem envolvente.
    Mesmo se houverem alguns defeitos, é um gênero que me encanta e estou louca para conferir!

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  17. Eita, muito interessante esse livro, espero poder ler em breve ;)

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  18. Este comentário foi removido pelo autor.

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  19. Eu adoro distopia, acho que possuem uma visão totalmente diferen de histórias..E iso me ctiva. Adorei ua reenha, ela nos mmostra um pouco do que esperar da história e mno faz desejar ler o livro o mai rápido possível.Adorei..Parabéns.. Foi amar ver o que ocorre nod esentrolar da história, em contar que estou louca pra ver o filme...bjs

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  20. Eu vi o filme e espero ler o livro em breve!
    Quanto a resenha, AMEI *-*'
    Você escreve super bem, continue assim! Porque "Amores e Livros" é outra coisa ♥

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  21. Já eu sou fã de distopias, e tento ler o maior número delas. Confesso que prefiro as mais "agitadas", como "Jogos Vorazes" e "Divergente", por exemplo, mas não dispenso uma como essa. A premissa me agradou bastante. E, espero ter a oportunidade de ler/assistir muito em breve.

    @_Dom_Dom

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  22. Adoro distopias e gostei muito desta realidade criada pelo autor. Com certeza seria horrível um mundo "perfeito" como esse e fiquei curiosa para saber como o personagem lidará com estas lembranças do que o mundo já foi. Parece ser uma ótima leitura mesmo, uma pena você não ter se apaixonado por nenhum personagem em especial. :)
    beijos

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  23. Eu gosto muito de distopias e essa parece ser muito boa pelo enredo e ter virado filme o que me deixa um pouco sobre aviso por que não gosto das muitas adaptações que tem por ai.
    Um mundo assim ia ser muito chato, vamos ler pra ver o que vai acontecer.

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  24. Achei o livro bem interessante, apesar de eu também ainda não ter lido a maior parte dessas distopias de sucesso. Deve ser terrível um mundo tão perfeito, com pessoas tão perfeitas... A vida com problemas é bem mais legal. kkk. Também gostei muito da capa apesar de ser a do filme, não sou muito fã desse tipo de capa... Fiquei muito curiosa com relação à esse livro, ele vai direto pra minha lista de leitura.

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  25. Estou louca para ler esse livro. Amo distopias, é meu gênero favorito.
    Se tudo fosse perfeito e sem problemas não teria graça não é mesmo :) Amo essa capa mesmo sendo do filme.
    Beijos

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